segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Leitura espiritual sobre a castidade (I)


Filotéia, por São Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja.


CAPÍTULO XII

Necessidade da castidade



A castidade é o lírio entre as virtudes e já nesta vida nos torna semelhantes aos anjos. Nada há de mais belo que a pureza e a pureza dos homens é a castidade. Chama-se a esta virtude honestidade; e à sua prática honra.

Denomina-se também integridade; e o vício contrário, corrupção. Numa palavra, entre as virtudes tem esta a glória de ser o ornamento da alma e do corpo ao mesmo tempo.

Nunca é lícito usar dos sentidos para um prazer impuro, de qualquer maneira que seja, a não ser num legítimo matrimônio, cuja santidade possa por uma justa compensação reparar o desaire que a deleitação importa. E no próprio casamento ainda se há de guardar a honestidade da intenção, para que, se houver alguma impefeição no prazer, não haja senão honestidade na vontade que o realiza. O coração puro é como a madrepérola, que não recebe uma gota de água que não venha do céu, pois ele não consente em nenhum prazer afora o do matrimônio que é ordenado pelo Céu. Salvo isso, nem sequer nele pensa voluptuosa, voluntária e demoradamente.

Quanto ao primeiro grau desta virtude, Filotéia, não admitas a menor coisa de tudo aquilo que é proibido como desonesto, isto é, geralmente falando, todas as coisas semelhantes que se fazem fora do estado matrimonial ou no matrimônio contra as regras deste estado.

Quanto ao segundo grau, restringe, quanto possível for, as deleitações supérfluas e inúteis, posto que honestas e permitidas.

Quanto ao terceiro grau, não te afeiçoes aos deleites necessários e de preceito; pois, embora seja necessário conformar-se aos que o são segundo a instituição e fim do matrimônio, não se deve apegar a eles o espírito e o coração.

Demais, esta virtude, é sumamente necessária a todos os estados. No da viuzez a castidade deve ser de uma generosidade extrema, para precaver-se dos prazeres sensuais, não só quanto ao presente e ao futuro, mas também quanto ao passado; lembrando prazeres já havidos, a imaginação excita más impressões.

É por isso que Santo Agostinho tanto se admirava da pureza de seu amado Alípio, que já não conservava nem o sentimento nem a lembrança de sua vida desregrada anterior. E, com efeito, é sabido que os frutos ainda inteiros se conservam facilmente por muito tempo; mas, se foram cortados ou machucados, o único meio de conservá-los é pô-los em conserva com açúcar ou mel. Do mesmo modo eu digo que, enquanto a castidade estiver intacta, se têm muitos meios de conservá-la; mas, uma vez perdida, só pode ser conservada pela devoção que, pelas suas doçuras, muitas vezes tenho comparado ao mel.

No estado virginal a castidade exigem uma muito grande simplicidade de alma e uma consciência muito delicada, para afastar toda sorte de pensamentos curiosos e elevar-se acima de todos os prazeres sensuais, por um desprezo absoluto e completo de tudo o que o homem tem de comum com os animais o que mais convém aos brutos que a eles.

Nem por pensamento duvidem essas almas que a castidade é muito superior a tudo o que é incompatível com a sua perfeição; pois o demônio como diz S. Jerônimo, não podendo suportar esta salutar ignorância do prazer sensual, procura excitar nestas almas ao menos o desejo de conhecê-los e sugere-lhes idéias tão atraentes, embora inteiramente falsas, que muito as perturbam, levando-as, como acrescenta este santo padre, a dar imprudentemente grande estima ao que não conhecem.

É assim que muitos jovens, seduzidos pela ilusória e tola estima dos prazeres voluptuosos e por uma curiosidade sensual e inquieta, se entregam a uma vida desregrada, com perda completa dos seus interesses temporais e eternos; assemelham-se a borboletas que, pensando que o fogo é tão doce quão belo, se atiram a ele e se queimam nas chamas.

"Quanto aos casados, é certo que a castidade lhes é necessária, muito mais do que se pensa, pois a castidade deles não é uma abstenção absoluta dos prazeres carnais, mas refrear-se neles. Ora, como aquele preceito -- 'Irai-vos e não pequeis' -- é no meu entender mais difícil que o outro -- 'Não vos ireis nunca' -- por ser bem mais fácil evitar a raiva do que regrá-la, assim também é mais fácil a abstenção total dos prazeres carnais do que a moderação neles.

É certo que a santa licença que o matrimônio confere tem uma força e virtude particular para apagar a concupiscência, mas a fraqueza dos que usam dela passa facilmente da permissão à dissolução, do uso ao abuso. E como vemos muitos ricos roubarem, não por indigência, mas por avareza, também se vêem muitos casados excederem-se por intemperança e luxúria; porque a sua concupiscência é como um fogo cheio de veleidades, ardendo aqui e ali, sem se fixar em parte alguma. É sempre perigoso tomar remédios violentos. Tomando-se demais, ou se não forem bem dosados, prejudicam imensamente. O matrimônio, entre outros fins, existe para remédio da concupiscência e sem dúvida é ótimo remédio, mas violento e por isso perigoso, se não for usado com discrição.

Noto ainda que, além das longas doenças, os vários negócios separam muita vez os maridos de suas mulheres. E é por isso que os casados precisam de duas espécies de castidade: uma para a continência absoluta, naqueles casos de separação forçada, a outra, para a moderação quando estão juntos, na vida normal. Viu Santa Catarina de Sena muitos condenados no inferno sofrendo atrozmente pelas faltas contra a santidade matrimonial. E isso, dizia ela, não tanto pela enormidade do pecado, porque assassínios e blasfêmias são pecados muito maiores, mas porque os que caem naqueles não têm escrúpulos e continuam assim a cometê-los por muito tempo. Já vês pois que..."

A castidade é necessária para todos os estados. Segui a paz com todos - diz o Apóstolo - e a santidade sem a qual ninguém verá a Deus. Ora, é de notar que por santidade ele entende aqui a castidade, como observam S. Jerônimo e S. Crisóstomo. Não, Filotéia, ninguém verá a Deus sem a castidade; em seus santos tabernáculos não habitará ninguém que não tenha o coração puro e, como diz Nosso Senhor mesmo, os cães e os desonestos serão desterrados daí; e: "Bem-aventurados os limpos de coração, por que eles verão a Deus".

[São Francisco de Sales, FILOTÉIA ou Introdução à vida devota, Livro III, capítulo XII, grifos nossos].

sábado, 4 de agosto de 2012

A Justa Estima do Outro


"Amarás o teu próximo como a ti mesmo"

Nós não podemos dizer que amamos a Deus se não amamos os nossos irmãos. Deus nos criou para amar a Ele e aos nossos irmãos por amor a Ele, por isto não basta amar a Deus e amar o homem de forma separada e de uma maneira qualquer.

Nós amamos por que Deus nos amou primeiro e Ele nos dá, como ponto de referência e parâmetro do amor que devemos ao irmão, o amor que temos por nós mesmos.

Uma coisa é certa: PARA AMAR OS OUTROS É PRECISO AMAR ANTES A SI MESMO. Precisamos aprender a nos amar, a termos a justa estima de nós mesmos, a verdadeira imagem, a auto-imagem correta e normal, isto é, saber que a nossa imagem se acha fundamentalmente dotada de elementos positivos, com contornos limitantes que dificultam o agir, mas não constituem a essência do nosso ser. O centro do ser é positivo, mas no seu todo o ser é limitado. Esta é a condição humana. Existem em todo homem e em toda mulher virtudes e defeitos, riquezas notáveis e impulsos incoerentes com a estrutura pessoal, mas que são parte dela. Quem se desvaloriza ou então quem acredita ser mais do que os outros, dificilmente é um bom amigo de si mesmo. Cada qual, de fato, tem a própria medida. Não tem sentido aspirar a coisas muito grandes, como também é um absurdo julgar-se um miserável.

É sábio quem procura a própria medida, porque, na verdade, é aquela que mais lhe assenta, isto é, se identificar a nível ontológico. Somente neste nível podemos perceber a positividade radicadaem nossa natureza de homens e de criaturas de Deus, chamados a ser conformes à imagem de seu Filho.

A autêntica experiência de Deus nos leva ao amor de nós mesmos. Quanto mais conhecemos a Deus, mais descobrimos que ele nos ama. Quanto mais nos aproximamos da fonte do amor, mais nos tornamos sempre mais dignos de amor.

O AMOR AO PRÓXIMO:

Chegados a este ponto, é possível amar o próximo. Somente uma pessoa em paz consigo mesma pode amar também o irmão. E o amará precisamente como ama a si mesma. Terá um amor que não está fundamentado nas qualidades e defeitos, mas que vê o valor radicado em seu próprio ser, isto é, não basta não pensar bem, não se trata de fechar os olhos sob aspectos negativos dos outros, nem simples gesto de cortesia. O amor verdadeiro leva a uma percepção profunda do outro, a um olhar agudo e límpido para descobrir o valor interior do outro, a um abrir-se a verdade do outro, quer dizer, TODO SER HUMANO É DIGNO DE SER AMADO, INDEPENDENTEMENTE DE SUA CONDUTA OU DE SEUS MERECIMENTOS E QUALIDADES. O amor aos nossos irmãos deve estar ligado aos valores fundamentais da sua existência e como tal é incancelável, apesar da sua aparente indignidade.

A estima sincera do outro é o primeiro ato de amor, mas eficaz, significativo e verdadeiro, pois um ato de caridade sem a estima sincera do outro, é apenas beneficência, que pode provocar humilhação ou engano, e nós não somos chamados a sermos apenas beneficentes, mas bondosos e amorosos com os nossos irmãos.

É sinal de estima sincera e de amor verdadeiro estimular o outro para o seu bem, que é estimular o ou outro para o centro da vontade de Deus. Descobrimos então a relação direta e indireta entre a imagem que temos do outro e seu crescimento, porque muitas vezes assumimos conscientemente, ou não, um comportamento que induz sutilmente o outro a agir de acordo com a imagem que tínhamos feito dele: quanto mais formos rígidos nessa imagem mais estimularemos o comportamento correspondente. Muitas vezes estimulamos o outro a ser exatamente aquilo que, depois, contestamos e condenamos (naturalmente sem má intenção).

Precisamos entender que até mesmo a simples maneira de ver o outro tem influência sobre ele e sobre a imagem que ele tem de si, como os julgamentos, mesmo os que não manifestamos, e o tipo de relacionamento que estabelecemos com ele.

A caridade verdadeira nasce do coração e do modo de ver o outro na sua verdade, no seu valor como pessoa, como ser humano. É ingênuo pensar que podemos ser caridosos simplesmente porque não manifestamos nossos julgamentos negativos, iludindo-nos de poder cobrir tudo com o amor. É importante sabermos separar a fraqueza do irmão e o seu valor como pessoa para assumirmos a responsabilidade de que temos por ele e pelo seu crescimento. Portanto com as suas quedas eu sofro, com suas virtudes fico feliz, com o seu sofrimento procuro ajudá-lo. Não é possível sermos santos e agradar a Deus, sem tomar conhecimento de quem está ao nosso lado. Muitas vezes ignoramos "onde estava" nosso irmão, como Caim, que não quis se sentir responsável pelo irmão (Gen 4, 9).

A experiência de Deus que não passa pelo irmão é apenas ilusão, e da ilusão não pode vir amor verdadeiro e sincero.

Quem estima sinceramente seu irmão se sente responsável por ele, pela sua salvação, fará de tudo para estimulá-lo, dia-a-dia, para o bem, para Deus. Mesmo que o irmão se desvie do verdadeiro bem com o seu comportamento, não deixará de descobrir e crer na sua capacidade positiva de melhorar, porque ele é muito melhor do que parece e poderá ser fiel àquele projeto que Deus tem para ele. Essa confiança no outro é uma força estimuladora, é maior do que o pecado e gera:

- A força de vencer o mal porque é capaz de redescobrir o bem ou de salvar a intenção, de dar novamente esperança ou de convidar o outro de novo a caminhar para Deus, nem que seja juntos quando o outro não está muito interessado.

- Pode mudar o irmão, ainda que a longo prazo, com muita paciência e discreção, sem paternalismo, mas com desejo sincero de levá-lo a crescer na amizade com Deus.
- Desta forma torna-se para o irmão um canal da graça de Deus, pois sua Palavra e vida transmitem-lhe, direta ou indiretamente, mas sempre com entusiasmo e convicção, a mesma mensagem da busca comum de Deus.

É um amor que se caracteriza pela preocupação pela existência do outro. Realiza-se no dar sem expectativa de retribuição, em viver sem esforço o dom daquilo que é necessário à pessoa amada.
A sexualidade é transformada em nível mais alto, em sentimento oblativo. O amor em tal contexto supera dia após dia suas limitações e tende a expandir-se até o nível da região profunda do ser, indo aí desfrutar de suas riquezas.
Quando duas pessoas vivem neste clima espiritual, o encontro significa comunhão verdadeira porque é uma comunhão a nível do ser. Existe tamanha reciprocidade que permite alcançar o nível da unidade, da comunicação e da gratuidade. A comunhão é tão forte que se chega a desejar dar a vida pelo outro, a ponte de não hesitar em derramar o próprio sangue, se necessário. É um amor onde quase não há lutas, necessidades, expectativas. Tem como recompensa única a alegria da própria pessoa amada. É este amor que vê no outro um valor enorme, e ao mesmo tempo relativo ao amor que dar a Deus. É um amor gratuito, feito de presença, de proximidade, atenção e serviço (aquilo que é meu é teu). Este amor supera o instinto e o sensível. "É osso dos meus ossos, e carne da minha carne" (Gen 2, 23).

O QUE É A VERDADEIRA AMIZADE:
O verdadeiro amigo não adula e nem rejeita o outro, mas o estimula a amar como ele ama. Isto é que é a sua felicidade, amá-lo como a si mesmo.
Não é um tipo de piedosa associação de ajuda mútua que procura eliminar a solidão através de gratificações recíprocas, mas que na prática acaba por frear a caminhada de experiência de Deus e de maturidade humana.
Nossos relacionamentos não devem ser de apenas bons vizinhos, muito superficiais para serem fonte de estímulo recíproco na busca de Deus.
Não deve existir entre nós ciúmes, competições, dominações, pois não somos propriedade dos outros e nem os outros são propriedades nossas. Não podemos querer que os outros sejam conforme nós imaginamos ou desejamos, antes devemos amá-lo a partir daquilo que nos incomoda nele. Não amamos para transformar ninguém e sim para levá-los a experiência com Deus, para levá-los ao amor de Deus, para levá-los a verdade de Deus e isto não se realiza pela força das nossas palavras, nem pelas nossas criticas. Não podemos levar os nossos irmãos no peito e na raça, tentando enquadrá-los dentro daquilo que gostamos e que aceitamos.

Caminhos para crescer no amor
1.Atenção ao outro (como Maria): a Deus e aos homens.

2. Comunicação profunda com o outro: capacidade de expressar através da linguagem todo seu dom e também capacidade de escutar em profundidade.

O QUE SIGNIFICA ESCUTAR EM PROFUNDIDADE:

Entrar no mundo da interioridade do outro com o coração disposto a acolher, não julgar, serenidade e calma, paciência, interesse pelo outro e pela vida que leva, por seus sentimentos. A comunicação não exige muito falar. Comunicar não significa perder a autonomia e a liberdade de pensamento.

3. Respeito pela autonomia do outro:
O amor profundo não manipula as pessoas, como se manipula objetos, porque só existe verdadeiro crescimento a partir de dentro. O respeito pela autonomia do outro é amor porque onde existe respeito tem-se uma presença discreta, que não impõe, que não ergue barreiras e obstáculos; a fé constante na capacidades de auto-desenvolvimento das forças vitais que orientam o outro para aquilo que lhe faz bem.
A maioria das pessoas tem o secreto e inconsciente receio de que a autonomia do outro crie problemas, traga obrigações e por isso tende a oferecer inúmeros conselhos, a ficar projetando soluções.
Amar é pôr-se diante do outro numa atitude de grande respeito por suas opções e tomadas de decisão, suas demoras, seus ritmos de crescimento, para que sua autonomia amadureça sempre mais e a relação vá progredindo em direção à profundidade.

4. Expressão de amor profundo:
O amor tem que traduzir-se em atos que exprimam aquilo que se vive, traduzir-se em gesto que gerem outro amor. Não basta dizer a uma pessoa que você a ama. É necessário também que ela o perceba através dos atos, faça o que for necessário para que, de sua parte, floresça a confiança, a familiaridade, a intimidade.
Que expressão escolher? Como manifestar o amor profundo?
dar o melhor de si mesmo ao outro. Todas as suas expressões sensíveis e visíveis deveriam seguir essa trajetória (a sensibilidade, os impulsos, a própria sexualidade).
Exemplos: uma saudação, uma carta, um encontro, o tratar-se com familiaridade e intimidade, um aperto de mãos, um beijo, um gesto de carinho, uma ajuda esperada, a lembrança de uma data particular, uma palavra de estima, de conforto e de estímulo.
Dar alguma coisa ou dar-se a si mesmo a uma pessoa implica uma renúncia que empobrece, mas esta renúncia produz alegria, pois o ato de dar produz mais alegria do que o de receber, não pela privação ou pela renúncia em si, mas pelo dom que exprime a própria vitalidade oblativa, a própria fecundidade.
Este movimento de dar provoca o crescimento do outro que recebe e de quem dar. Nem sempre no dom há alegria, e tanto mais falta alegria quanto mais estiver presente a procura de si mesmo. Mas sempre há alegria quando a pessoa se preocupa ativamente com a vida e o bem daquele que se ama e ao qual se dá alguma coisa. O amor se torna assim não um gesto sentimental, mas um ato originado pela "vida profunda", que intui no outro uma necessidade, confessada ou não, e lhe dá socorro, prevenindo-a.

5. O amor leva ao conhecimento da pessoa (ver além das aparências):
Sem conhecimento não existe amor. O conhecimento da pessoa que se quer amar não se detém na periferia, mas chega ao fundo de sua vida e de seu ser. Amar é conhecer o núcleo desta vida e deste ser escondido nela. Toda pessoa é muito mais do que aquilo que aparenta aos olhos dos outros.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O Voto Cristão


A participação do católico na vida cívica é um dever, fundamental na própria fé cristã. Nossa prática religiosa está, pois, intimamente inserida no meio social, onde a Providência nos colocou. E a escolha dos dirigentes faz parte integrante do exercício da cidadania em um regime democrático.

Compreende-se bem esse raciocínio quando toda a nossa existência em suas várias manifestações, está sob a dependência de Deus. Não se dá uma dicotomia, aliás sensivelmente prejudicial. O fiel obedece ao Senhor enquanto reza, vai à missa, cumpre os mandamentos, mas também quando participa de atividades civis.

Em um período de eleições, como o que vivemos, esse compromisso se dá de diversos modos. Um deles com a presença nas urnas. A abstenção revela falha no exercício de uma obrigação.

O concílio Vaticano II nos adverte: "Todos os cidadão se lembrem, portanto, do direito e simultaneamente do dever que temos, de fazer uso do voto livre em vista da promoção do bem comum ("Gaudium etspe"nº75).

Além de ir votar, urge fazê-lo bem, segundo a própria consciência, formada por ditames éticos. A ele submetemos as propostas de cada candidato

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Vocação à santidade


Com a queda de Adão, o pecado destruiu o plano divino da santificação do homem. Nossos primeiros pais, criados à imagem e semelhança de Deus, em estado de graça e santidade, elevados à dignidade de filhos de Deus, foram precipitados num abismo de miséria, arrastando consigo todo o gênero humano. Durante séculos e séculos, o homem geme no seu pecado; este cavou um abismo insuperável entre Deus e a humanidade, e o homem geme para além do abismo, absolutamente incapaz de se levantar.

Para conseguir o que o homem não pode, para destruir nele o pecado e restituir-lhe a graça, promete-lhe Deus um Salvador. A promessa, feita e renovada através dos séculos, não se restringe somente ao povo de Israel; interessa a toda a humanidade. Já Isaías o havia pressentido: “Virão os povos em multidão, dizendo: ‘Vinde, subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine seus caminhos’” (Is 2,3). E declarou Jesus expressamente: “Digo-vos que muitos virão do oriente e do ocidente e sentar-se-ão à mesa com Abraão, Isaac e Jacó no Reino dos céus” (Mt 8,11).

O Senhor Jesus veio salvar a todos os povos, e convidar todos à mesa de seu Pai, no Reino dos céus. “Quer Deus todos os homens salvos e que cheguem todos ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). A fim de que se salvem todos, “enviou seu Filho unigênito, para que, quem quer que nele creia, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Assim amou Deus o mundo. Se foi Israel o depositário da divina promessa e recebeu a missão de transmiti-la de geração em geração, não é, porém, o único beneficiário. Desde a antigüidade, no plano de Deus, foi destinada a promessa a toda a família humana: ninguém está excluído. Jesus, Salvador, veio para cada homem e a cada homem oferece os meios necessários à sua santificação.

Assim dirige S. Paulo aos cristãos de Corinto sua primeira carta: “Aos santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos com todos aqueles que em todo lugar invocam o nome do Senhor nosso Jesus Cristo” (1Cor 1,2). Todos os que crêem em Cristo, seja de que povo for, são efetivamente “chamados a ser santos”; o que, na linguagem do Apóstolo, significa sobretudo pertencerem, serem consagrados a Deus mediante o Batismo e, portanto, em força desta consagração, tornarem-se pessoalmente santos.

Assim como a salvação, a santidade é oferecida a todos os homens. “Sede santos porque eu sou santo” (Lv 11,44), havia dito Deus ao povo de Israel; e Jesus especificou: “Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste” (Mt 5,48). Estas palavras, não as dirigiu o Senhor a um grupo escolhido; não as reservou aos apóstolos, aos íntimos, mas pronunciou-as diante da multidão que o seguia. Ele, o Santo por excelência, veio santificar todos os homens e a todos oferece os meios necessários, não só para a salvação, mas também para a santificação: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

Não se cansa a Igreja de repetir e inculcar este ensinamento do Senhor: “Ninguém creia que... (a santidade) seja para poucos homens escolhidos dentre muitos, enquanto os outros podem limitar-se a um grau inferior de virtude... Absolutamente todos... sem exceção alguma, estão compreendidos nesta lei” (Pio XI, AAS [1923]: 50).

De modo particular, o Concílio Vaticano II reafirmou a universal vocação à santidade: “Todos na Igreja, quer pertençam à hierarquia, quer sejam por ela dirigidos, são chamados à santidade... O Senhor Jesus, mestre e modelo divino de toda perfeição, a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição, pregou a santidade de vida, de que ele mesmo é o autor e consumador” (LG 39.40). Não pode o homem encontrar em si mesmo recursos e forças para santificar-se; somente Deus é santo e somente Deus pode santificá-lo. O próprio Deus quer ser o santificador das suas criaturas e, em Jesus bendito, oferece em profusão, a cada homem, os meios para que se santifique.
Extraído de: Madalena, Gabriel de Sta. Maria. Intimidade Divina. São Paulo: Loyola, 1988, pp. 25-26.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

“Tu sabes que te amo!”

“Antes que fosses formado no ventre de tua mãe, eu já te conhecia; antes que saísses do seio materno, eu te consagrei” (Jr 1, 5). A Palavra dirigida por Deus ao profeta Jeremias toca-nos pessoalmente. Ela evoca o desígnio que Deus tem sobre cada um de nós. Ele conhece-nos individualmente, porque desde a eternidade nos escolheu e amou, confiando a todos uma específica vocação dentro do plano geral da salvação. 

Queridos jovens, não duvideis do amor de Deus por vós! Ele reserva-vos um lugar no seu coração e uma missão no mundo. A primeira reação pode ser o temor, a dúvida. São sentimentos que, antes de vós, o próprio Jeremias experimentou: “Ah! Senhor Javé, não sou um orador, porque sou ainda muito novo!” (Jr 1, 6). A tarefa parece imensa, porque assume as dimensões da sociedade e do mundo. Mas não esqueçais que, quando chama, o Senhor dá também a força e a graça necessárias para responder ao chamamento. 

Não tenhais medo de assumir as vossas responsabilidades: a Igreja tem necessidade de vós, precisa do vosso empenho e da vossa generosidade; o Papa tem necessidade de vós e, no início deste novo milênio, pede-vos que leveis o Evangelho pelas estradas do mundo. 

No Salmo Responsorial escutamos uma pergunta que no mundo poluído de hoje ressoa com uma particular atualidade: “Como poderá o jovem manter puro o seu coração?” (Sl 119/118,9). Escutamos também a resposta, simples e incisiva: “Guardando a Vossa palavra” (ibid.). Portanto, é preciso suplicar o gosto pela Palavra de Deus e a alegria de poder testemunhar algo que é maior do que nós: “Alegro-me em seguir os Vossos desígnios...” (ibid., v. 14). 

A alegria nasce também da consciência de que inúmeras outras pessoas no mundo acolhem, como nós, as “ordens do Senhor” e as tornam substância da sua vida. Quanta riqueza na universalidade da Igreja, na sua “catolicidade”! Quanta diversidade segundo os países, os ritos, as espiritualidades, as associações, movimentos e comunidades, quanta beleza e, ao mesmo tempo, que profunda comunhão nos valores e adesão comuns à pessoa de Jesus, o Senhor! 
Percebestes, vivendo e orando juntos, que a diversidade dos vossos modos de acolher e de exprimir a fé não vos separa uns dos outros nem vos põe em concorrência. Ela é apenas uma manifestação da riqueza daquele único e extraordinário dom que é a Revelação, do qual o mundo tanto precisa. 

No Evangelho que há pouco escutamos, o Ressuscitado faz a Pedro a pergunta que determinará toda a sua existência: “Simão, filho de João, tu me amas?” (Jo 21,16). Jesus não lhe pergunta quais são os seus talentos, os seus dons, as suas competências. Nem sequer pergunta àquele que pouco antes o tinha traído, se de agora em diante lhe será fiel, se já não vai vacilar. Pergunta-lhe a única coisa que conta, a única que pode dar fundamento a um chamamento: tu me amas? Hoje, Cristo dirige a mesma pergunta a cada um de vós: tu me amas? Não vos pergunta se sabeis falar às multidões, se sabeis dirigir uma organização, se sabeis administrar um patrimônio. 

Pede-vos que o ameis bem. O resto virá como conseqüência. Com efeito, caminhar nas pegadas de Jesus não se traduz imediatamente em coisas a fazer ou a dizer, mas antes de tudo no fato de o amar, de permanecer com Ele, de o acolher completamente na própria vida. 

Hoje respondeis com sinceridade à pergunta de Jesus. Alguns poderão dizer com Pedro: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo!” (Jo 21,16). Outros dirão: “Senhor, tu sabes como eu desejaria amar-te bem, ensina-me a amar-te, para poder seguir-te”. O importante é permanecer na via justa, continuar o caminho sem perder de vista a meta, até ao dia em que podereis dizer com todo o coração: “Tu sabes que te amo!”. 
Queridos jovens, amai Cristo e amai a Igreja! Amai Cristo como Ele vos ama. Amai a Igreja como Cristo a ama. E não esqueçais que o amor verdadeiro não põe condições, não calcula nem recrimina, mas simplesmente ama. Como podereis, de fato, ser responsáveis de uma herança que aceitais apenas em parte? Como participar na construção de algo que não se ama de todo o coração? A comunhão do corpo e do sangue do Senhor ajude cada um a crescer no amor por Jesus e pelo seu Corpo que é a Igreja. 


Por Beato João Paulo II



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Castidade como Louvor de Deus


Apresentamos nesta postagem o artigo escrito por Padre Micael, sjs da Fraternidade Jesus Salvador, do blog Laus Dei: carisma da Fraternidade Jesus Salvador (http://lausdei.blogspot.com/). É um excelente artigo sobre a castidade e merece ser meditado com atenção. Boa leitura!

Considerando que a nossa vida deve ser um Louvor de Deus, é “conditio sine qua non” que esta vida louve a Deus através de pensamentos e atitudes castas, como no dizer do Catecismo da Igreja Católica: “A castidade significa a integração da sexualidade na pessoa. Inclui a aprendizagem do domínio pessoal”  (n. 2395). Então para que haja um Louvor de Deus casto, a pessoa em seus atos deve viver sua doação total de forma integra (n. 2337), mas o que significa isso? O ser humano quando ama deve se doar totalmente e não ter o mínimo interesse instrumentalizante do outro, obviamente dentro da vocação a qual foi chamado seja no celibato ou no casamento. Por isso, quando amamos alguém o nosso olhar, gestos, fala, deve estar despojado de qualquer intenção de tornar o outro apenas um fator de satisfação de meus instintos egoístas. Mas há imaturidades em nós na área da castidade, então o que fazer? O princípio é entender nossos apegos, os rompimentos feitos na vida e que deixaram carências, a consciência cada vez maior dessas carências nos vai dar o autodomínio que fala o Catecismo. Autodomínio não nasce de uma mentalidade sado-masoquísta ou de negação do corpo, mas do autoconhecimento como diz Santa Teresa de Jesus em seus escritos. O conhecimento da nossa educação afetivo-sexual, principalmente    a nível simbólico, conhecer como a criança que há em nós foi educada nos vai dando a segurança necessária. Quanto mais conhecemos nossa insegurança afetiva, sempre na graça de Deus, vamos nos tornando seguros para verdadeiramente nos doar aos outros. Alguém poderia levantar o problema, se eu for esperar a resolução de meus problemas quando poderei ter um relacionamento sadio? A perfeição só na ressurreição final de nosso corpo. Por isso, é necessário a cada relacionamento, com cada pessoa, ir conhecendo nossas opções e intenções, essa é a vigilância tanto propalada nos Evangelhos. Porque o ser humano, não pode viver sozinho, e a amizade faz parte do crescimento de uma castidade verdadeira, como traz o Catecismo: “A virtude da castidade desabrocha na amizade. Mostra ao discípulo como seguir e imitar Aquele que nos escolheu como seus próprios amigos, se doou totalmente a nós e nos faz Participar de sua condição divina. A castidade é promessa de imortalidade. A castidade se expressa principalmente na amizade ao próximo. Desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes, a amizade representa um grande bem para todos e conduz à comunhão espiritual” (n. 2347). Os Padres da Igreja já alertavam que uma castidade que endurecesse o coração não seria uma castidade do Reino dos Céus, a castidade deve nos dispor e ensinar a ter amizades verdadeiras, com doação verdadeira. Por outro lado, não podemos ter atitudes de tornar o outro um instrumento em nossas mãos. Jesus pelas suas atitudes demonstra ser uma pessoa que tem amizades verdadeiras e que acolhe a demonstração afetiva das outras pessoas. Como no caso da pecadora na casa de Simão, o fariseu: “E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento” (Lc 7, 37-38). [1]Jesus elogia a atitude da mulher, que orienta exclusivamente pelo arrependimento, como demonstração deste e de seu amor, externaliza-o afetivamente. A castidade é efetiva, porque se externaliza por atos de doação e é afetiva, porque é através do afeto que sua doação se realiza. Jesus acolhe a atitude afetiva dessa pecadora e em público, não se restringe pelo medo, Jesus não se importa com o fariseu, muito pelo contrário, Jesus cobra do fariseu sua frieza no acolhimento. Também por ter uma atitude totalmente unificada Jesus não tem porque se esconder dos olhos humanos. E por fim sentencia “Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama” (Lc 7, 47) a demonstração do amor da pecadora expressa o seu total arrependimento. Concluindo o coração da pecadora se unifica ao ir afetivamente ao encontro de Jesus que perdoa, e este tem um coração uno o bastante para acolhê-la. Qual seria nossa atitude, tanto no lugar de Jesus ou da pecadora? Outros exemplos de demonstração afetiva pode ilustrar a castidade como louvor de Deus. O acolhimento do Pai ao filho que se extraviou não é formal, mas se expressa assim: “E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou” (Lc 15, 20). Jesus também acolhe e abraça crianças, novamente sua atitude é casta, pública e acolhedora, e repreende quem o impede de acolher as crianças:

“Depois disso, algumas pessoas levaram as suas crianças a Jesus para que ele as abençoasse, mas os discípulos repreenderam aquelas pessoas. 14 Quando viu isso, Jesus não gostou e disse:

— Deixem que as crianças venham a mim e não proíbam que elas façam isso, pois o* Reino de Deus é das pessoas que são como estas crianças. 15 Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quem não receber o Reino de Deus como uma criança nunca entrará nele.53
16 Então Jesus abraçou as crianças e as abençoou, pondo as mãos sobre elas.”[2]

Jesus novamente acolhe, abençoa e impõem as mãos sobre as crianças, e repreende aqueles que impedem as crianças de irem até ele. Novamente, seus atos são públicos, castos e são bênção para quem vem até Ele, é uma atitude unificada e unificante. E nos convida a sermos como crianças, porque delas é o Reino dos Céus.

Por outro lado, também, Jesus condena a afetividade dúbia de Judas Iscariotes, que com o coração dividido pela ganância e pela traição, utiliza-se de um ato de amor, como o beijo, para entregar Jesus (cf. Lc 22, 48). Por fim, com toda a interpretação teológica que possa ser feita, o contexto é a pergunta sobre quem é o traidor, o fato afetivo é muito bem esclarecido no contexto da ceia, a qual se celebrava reclinado:

Ora, se um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus.
24 Então, Simão Pedro fez sinal a este, para que perguntasse quem era aquele de quem ele falava.
25 E, inclinando-se ele sobre o peito de Jesus, disse-lhe: Senhor, quem é?
[3]

Cada um pode ter uma visão de castidade, mas Jesus é o modelo perfeito em tornar nossos atos castos que louvam a Deus, construindo verdadeiras amizades, porque a única intenção que temos é a doação que Ele mesmo fez (cf. Jo 13, 31). Esses atos se tornam louvor de Deus, porque aproximam o ser humano de outros seres humanos e de Deus, são atos verdadeiramente castos e por conseqüência verdadeiramente amorosos.

[1]Sociedade Bíblica do Brasil: Almeida Revista E Atualizada - Com Números De Strong. Sociedade Bíblica do Brasil, 2003; 2005, S. Lc 7:39


[2]Sociedade Bíblica do Brasil: Nova Tradução Na Linguagem De Hoje. Sociedade Bíblica do Brasil, 2000; 2005, S. Mc 10:16

[3]Sociedade Bíblica do Brasil: Almeida Revista E Corrigida. Sociedade Bíblica do Brasil, 1995; 2005, S. Jo 13:25

Fonte: http://lausdei.blogspot.com/2011/02/castidade-como-louvor-de-deus.html

Ícones: sua origem e fundamento


Os Ícones
A Palavra "ícone" vem do termo grego "eikon" que significa genericamente imagem. Todavia, a palavra ícone é, geralmente, reservada a uma pintura, normalmente portátil, de gênero sagrado, executada sobre madeira com uma técnica particular, e seguindo uma tradição transmitida pelos séculos.

Origem e Fundamento
O ícone nasce junto com a Encarnação do Verbo. O nascimento de Cristo torna possível a confecção dos ícones, pois a partir daí se desfaz a proibição do Antigo Testamento uma vez que Jesus Cristo não é apenas o Logos, do Pai, mas também a sua imagem (eikón). Por isso nos diz São Paulo: "Cristo é a imagem do Deus invisível" (Cl 1, 15).

Expressão do Espiritual
Nos ícones as técnicas artísticas são totalmente absorvidas pelo conteúdo. Deseja-se mostrar a obra de Deus na vida ou na cena em questão. No ícone a estética torna-se secundária diante do que é espiritual. A arte dos ícones, seguindo esse ideal da Igreja, não é arte naturalista, não procura reproduzir as realidades da natureza. É uma arte puramente espritualista que exprime uma idéia Teológica ou mostra o homem transformado por Deus, tranfigurado, impregnado do Espírito Santo, revelando sua alma. O ícone é feito para mostrar as realidades divinas e celestiais a partir dos sinais acessíveis aos sentidos. Quando o contemplamos, ele nos traz a presença da pessoa representada. Permite, assim, ao orante, mergulhar nesta presença toda espiritual. Age como sacramental, ou seja, sinal eficaz de uma presença real que se oferece ao coração.

Técnicas e Pré-Requisitos para a Pintura
A forma de pintar os ícones tem o objetivo de revelar a transparência final e celestial da carne. Para isto, o artista, iconógrafo, deve conhecer profundamente da Sagrada Escritura, a vida da pessoa representada. Deve ter um procedimento irrepreensível. Todos aqueles que se dedicavam a esta arte eram grandes fiéis, grandes ascetas e grandes cristãos. E para pintar se dedicavam a oração e a jejuns.
(...)

O ícone, enfim, não é um enfeite para os lugares de oração, mas um poderoso elemento de devoção que nos ajuda a viver a nossa vocação cristã.

Ícone feito pela Comunidade Católica Shalom - Assessoria Liturgico Sacramental

terça-feira, 12 de junho de 2012

O silêncio na Liturgia


      Diz a Sagrada Escritura: “Há tempo de calar e tempo de falar” (Eclesiastes 3,5). A muitos cristãos se aplica essa advertência bíblica. Ao entrar em certos templos, o modo como alguns procedem revela falta de Fé na presença eucarística e desconhecimento das exigências de um lugar sagrado. Dentro, continuam o entretenimento iniciado fora, na rua, como se tudo fosse banal. Outras vezes, a palestra, mesmo a meia voz, serve de passatempo, enquanto aguardam o ato litúrgico. A casa de oração é transformada em lugar de conversação. E isso acontece também entre pessoas que deveriam servir de exemplo.

     Mais grave ainda quando este comportamento ocorre durante celebrações religiosas. Importa valorizar o silêncio nessas ocasiões e lugares. Ele também significa nossa condição de pecador. É o que se deduz dessa passagem de São Paulo, na Epístola aos Romanos (3, 19): “Toda a boca se cale e o mundo inteiro se reconheça réu em face de Deus”.

     O Senhor, no sacrário das igrejas, pede o recolhimento pessoal e da comunidade. Há muitas outras oportunidades de os homens se encontrarem. No templo o relacionamento é com Deus. Manifesta-se de vários modos, pela genuflexão bem feita diante do Santíssimo, pela postura corporal, aproveitamento do tempo pela oração e, em particular, com a homenagem que a criatura presta ao Criador, guardando o silêncio respeitoso nos atos religiosos ou fora deles. Lemos no Evangelho de São Lucas (9,36) que, ao ser revelada a divindade de Cristo na transfiguração do Tabor, “os discípulos mantiveram silêncio”.

     O profeta Habacuc (2,20) nos adverte: “O Senhor reside na sua santa morada. Cale-se toda a terra diante dele”. Sofonias (1,7) insiste no mesmo sentido: “Silêncio na presença do Senhor”. Em outras passagens a Sagrada Escritura retoma esse tema.

     Um fator que induz à infração de tal dever diante de Deus aos lugares sagrados – e, principalmente, na ocasião das cerimônias – é o esforço por promover uma vivência comunitária. Como a prática religiosa, antes do Concílio Vaticano II, se ressentia de uma forte influência individualista, busca-se expandir uma visão mais conforme à própria natureza da Igreja. Formamos um só corpo, cuja cabeça é Cristo. Nossas ações devem repetir essa perspectiva, não ficando, assim, reduzidas a atitudes isoladas. Para alcançar esse objetivo recomenda-se o que diz respeito ao próximo. Não se exclui dessas atitudes o templo e o que nele ocorre. Com boa vontade, embora mal disciplinada, foram sugeridas ruidosas manifestações estranhas às justas aclamações, aliás, previstas pelas normas litúrgicas. Nesse campo é fácil passar do correto ou razoável para o excesso. Este impede o clima de oração e ofende a santidade do lugar, o que é bem diverso de uma entusiástica participação, no júbilo coletivo, por razões pias. Essa matéria, evidentemente, não se mede pelo ruído, mas pelos motivos que o provocam. A glória de Deus merece calorosos aplausos, como exige a supressão até de murmúrios, quando profanos.

     Essas considerações nos levam a especificar algumas circunstâncias para melhor compreensão. Na Santa Missa, o momento da paz por vezes se converte em balbúrdia inaceitável. Pelas diretrizes litúrgicas essa saudação é feita ao mais próximos. Em algumas igrejas, os excessos levam a uma agitação generalizada entre os participantes. O ambiente sagrado, imediatamente antes da Santa Comunhão, é prejudicado.

     Certos cânticos mesmo de índole religiosa, podem ser classificados como oportunos em festejos e outros lugares, que não o templo sagrado. O Santo Sacrifício não é ocasião para protestos político-ideológicos, através de canções. Igualmente, a “Oração dos fiéis” não se destina a um momento de criticar ou de difundir determinadas posições, à margem da sacralidade do ato que se celebra.

     Os batizados e, principalmente, as celebrações do casamento são, não raras vezes, uma real profanação do lugar sagrado. Qualquer pessoa que possua mediana educação doméstica – nem direi religiosa – jamais terá um comportamento não condizente com o ato e a Casa de Deus. Mesmo desprovido de Fé, possuindo bom senso, assumirá uma atitude respeitosa ao lugar onde se encontra. Ninguém é obrigado a ir, mas se, livremente, ali está, subentende-se que aceita as regras comezinhas de boa convivência humana.

     Esses exemplos e outras circunstâncias sugerem a necessidade de inculcar a importância do sagrado, neste mundo que desconhece cada vez mais os valores religiosos.

     Qual a metodologia a ser utilizada na preservação de um ambiente verdadeiramente adequado à santidade de nossos templos? A primeira medida será fortalecer o espírito de Fé. A crença bem viva na infinita grandeza de Deus é que nos leva a respeitá-Lo. E o silêncio é uma manifestação desses nossos sentimentos. Ao penetrar nos umbrais da casa do Senhor, por mais humilde e pobre que seja, tenhamos presente a dignidade espiritual do lugar.

     Um outro recurso é ter bem viva a responsabilidade de dar um exemplo cristão ao próximo, principalmente às crianças e pessoas afastadas da Fé ou alheias a ela. Esse trabalho educativo cabe, de modo especial, aos que se acham naturalmente vinculados à Igreja. Esse comportamento é mais eloqüente que uma exortação ou apelo.

     Muitos poderiam perguntar por que tratar desse assunto, quando há outros, aparentemente de maior gravidade e importância. A resposta é simples: tudo o que se refere a Deus é valioso e oportuno. Além disso, o cuidado com as necessidades materiais do nosso próximo será mais eficaz quando elas estão vinculadas ao seu progresso espiritual. Este é um alicerce sólido sobre o qual se possibilita a edificação de uma obra social duradoura e eficaz.
Louvemos ao Senhor com lábios e também com o coração na Casa de Deus. Esta é uma eloqüente manifestação de nossa Fé.



Cardeal D. Eugenio de Araújo Sales

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Esclarecimentos sobre o ensino da Igreja a respeito da homossexualidade


 Nesta postagem, apresentamos o comentário de alguém à postagem "Vivendo na verdade". A pessoa preferiu ficar anônima e mostrou-se incomodada e, de certo modo, irritada com o conteúdo. Como ela solicitou que fosse publicado seu comentário, atendemos e, ainda, nos dispomos a responder suas dúvidas e contra-argumentar algumas das suas teses. Esperamos que satisfaça os anseios do anônimo, mas que, também, seja de ajuda e esclarecimento para os nossos irmãos e nossas irmãs na fé.



"Quer saber... não sei se sou homossexual ou bi sexual, porque nunca tive experiencias, mais por auto preservação... esse texto não me trouxe nada, sendo bem sincero..."


     Caro anônimo, primeiro é preciso dizer que "homossexual", "heterossexual", "bissexual", "trans-sexual" ou "pansexual" são adjetivos que, hoje, muitos usam para definir "identidade sexual". Nesse sentido, quando perguntam sobre quem é a pessoa, entendem que alguma resposta é obtida por meio da consideração dos desejos sexuais, como se isso pudesse constituir, por si só, algo que defina alguém. Porém, os desejos sexuais são parte e não a totalidade da pessoa, dizendo, desse modo, pouco sobre ela. Assim, caso pretendamos que a "identidade" do homem seja definida pelo o que nele é próprio e mais englobante, não podemos tomar os desejos sexuais para defini-lo. Sobre isso, diz a Santa Igreja:


"A pessoa humana, feita à imagem e à semelhante de Deus, dificilmente pode ser descrita de maneira adequada por algum reducionismo referente à sua orientação sexual... toda pessoa possui uma identidade fundamental: criatura de Deus e, pela graça, Seu filho e herdeiro da vida eterna" (Congregação para a Doutrina da Fé, Carta sobre o cuidado pastoral das pessoas homossexuais, 1986, n.16).


     Entendido isso, é mais apropriado dizer que, neste momento, você sente atrações pelo mesmo sexo e pelo sexo oposto. Não se atormente tentando aplicar a si mesmo palavras que foram cunhadas muito recentemente, baseadas na ideologia marxista (de que tudo, até mesmo a sexualidade, é construção social) e usadas pelo ativismo gay para construir uma cultura homossexual e um senso de comunidade gay. Lembre-se, como você mesmo dirá depois, que você é um filho de Deus, criado à imagem e semelhança do Altíssimo, e herdeiro da vida eterna. Essa é a sua identidade. 


     E que Deus seja louvado por você nunca ter tido experiências sexuais com pessoas do mesmo sexo! Dizemos isso não para deixar você com raiva, mas o dizemos para manifestar nossa alegria, por causa daquilo que sabemos com nossas vidas. Tais experiências sexuais jamais trarão a paz e o afeto que você e todos nós buscamos. Muitos de nós, do Apostolado Coragem, viveram um estilo de vida gay antes de viver a castidade. O que aprendemos com aquela vida? Que ela possui alguns instantes de prazer e algum tipo de afeto, mas que aquilo não nos satisfaz. Aprendemos, por experiência, que a castidade é verdadeiramente um caminho para alcançar a paz e a liberdade interior, e é o que nos prepara para verdadeiramente amar.


     Em segundo lugar, é triste saber que o texto "Vivendo na verdade" não trouxe nenhum benefício para você. Lendo o texto, você buscou conhecer, pois a verdade é um bem (um benefício) e todo ser humano tem sede da verdade e busca conhecê-la - isso foi entendido já pelos filósofos pagãos da Antiguidade (como por Aristóteles [séc. IV a.C], em Metafísica I), é parte da vivência humana mais comum e é defendido pela Santa Igreja desde a sua fundação. Indo ao texto, cremos que você buscou conhecer, mas, tristemente, não conseguiu. Ou se conseguiu, não soube como ver essa verdade na sua própria vida. Onde está o obstáculo é o que esperamos descobrir e remover.

"alias, obrigar praticamente as pessoas a não se relacionarem com ninguem(e veja bem, não estou falando de sexo, falo de contato, beijos, namoro) por que o proposito de Deus é a procriação...?????"


     Primeiro, é preciso dizer que nem o Juventude Coragem, nem o Apostolado Coragem, nem a Santa Igreja dizem que as pessoas com atrações pelo mesmo sexo não podem se relacionar com outras pessoas; pelo contrário, incentivam-nas a ter boas relações com a família, a fomentar castas amizades e a participar da vida em comunidade.


     O Juventude Coragem escreveu quatro artigos falando sobre a solidão e incentivando seus leitores a combatê-la pela vivência de castas amizades.


     Em "Um pequeno caminho que conduz a Deus", dizemos: "Na sua família, busque obedecer e amar seus pais, amar os seus irmãos, perdoar as ofensas deles e saber pedir perdão pelas suas ofensas contra eles. [...] Reze por todos, todos os dias. Estando entre amigos, faça de cada gesto de carinho um convite à santidade. Fuja das conversas vazias e maliciosas, não embarque nas brincadeiras ofensivas e não ceda à luxúria. Trate seus amigos como se eles fossem o Senhor Jesus. Com todos seja respeitoso. Busque encontrar motivos para se alegrar em Deus ao invés de ceder à tristeza." (http://juventudecourage.blogspot.com/2011/01/um-pequeno-caminho-que-conduz-deus.html)


     Em "Não se deixe vencer pela solidão", dizemos: "Não se deixe vencer pela solidão. O Bom Deus não deseja que você passe por essa luta na solidão. Busque encontrar em Deus, mais do que o Senhor do Céu e da Terra, aquele que acompanha cada um dos passos da sua vida, um verdadeiro amigo, um amigo fiel. Busque ajuda, tanto espiritual, como psicológica (se preciso). E busque participar das atividades da sua paróquia ou comunidade, como de todas as atividades que permitirem o cultivo de castas amizades. Certamente, com um passo de cada vez, você superará a solidão e encontrará verdadeira alegria na vivência do amor a Deus e ao próximo." (http://juventudecourage.blogspot.com/2010/11/nao-se-deixe-vencer-pela-solidao.html)


     Em "Contar ou não contar? Eis a questão", escrevemos: "Se até mesmo Jesus, como Senhor e Deus, não carregou Sua cruz sozinho, também nós, que somos meras criaturas, não podemos carregar nossas cruzes sozinhos, mas precisamos de ajuda dos nossos irmãos e irmãs. A sugestão é esta: busque alguém cuja fé você respeite e tente abrir-se com essa pessoa o máximo que puder. Busque especialmente aquela pessoa que você sabe que não vai tentar te desviar do propósito de viver a castidade. Feito isso, restará este desafio: confiar. O Apostolado Coragem insiste muito na necessidade de cultivar amizades na vivência da castidade. Contudo, sem confiança, não há verdadeira amizade" (http://juventudecourage.blogspot.com/2011/06/contar-ou-nao-contar-eis-questao.html).


     Em "O combate contra a solidão", dizemos: "Amar significa de algum modo perder-se, porém, amando, encontramos a Deus e aos nossos irmãos. Amando, somos injetados no coração de Deus, onde encontramos os tesouros que não perecem, nem os ladrões furtam, e é certo que lá não existe solidão. Entendido isso, é preciso ficar claro que combater a solidão não significa simplesmente cercar-se de pessoas. Há solitários que vivem na multidão. Combater a solidão é combater o apego a si mesmo, é enfrentar a covardia de passar pelas adversidades que existem no relacionamento com outras pessoas. É abrir-se ao outro e doar-se a si mesmo pelo bem e salvação dele. Significa ainda aprender a confiar na vida e n'Aquele que é a Vida." (http://juventudecourage.blogspot.com/2011/09/o-combate-contra-solidao.html)


     O Apostolado Coragem propõe Cinco Metas, dentre as quais 2 (DUAS) são sobre a necessidade de cultivar as amizades:


3. Fraternidade. Cultivar um espírito de fraternidade no qual todos podem partilhar seus pensamentos e experiências e, assim, assegurar que ninguém venha a enfrentar sozinho os problemas da homossexualidade.


4. Apoio. Ter em mente as seguintes verdades: que as castas amizades não são apenas possíveis como também necessárias na vivência da castidade cristã e que, no seu cultivo, elas oferecem um mútuo encorajamento


     Além disso, publicamos quatro artigos do Apostolado Coragem em que fica clara a ênfase em cultivar amizades.


     Em "Crescimento espiritual e emocional", os autores do Coragem dizem: "A fé solitária rapidamente fica estacionada e desviada. São necessários para esta jornada com Cristo os relacionamentos com outros fiéis. Jesus disse: "Onde dois ou mais estiverem reunidos, lá eu estarei no meio deles" (Mt XVIII, 20). Encontrem pessoas com as quais vocês possam falar ou cuja fé vocês respeitam. Contem uns ao outros suas histórias, com frequência. Mantenham contato. Criem laços fortes. Estejam ali uns para o outros, especialmente com suas preces, quando as tentações e as tribulações vierem. Vir, as tentações e as tribulações virão certamente. Então, que vocês consigam aliados. É assim que as grandes vitórias são alcançadas. Isto é chamado Igreja"
(http://juventudecourage.blogspot.com/2010/07/crescimento-espiritual-e-emocional-nove.html)


     Em "A castidade é possível?", os autores do Coragem incentivam seus leitores, que sentem atrações pelo mesmo sexo, a "cultivar outras formas de amor: como o amor ágape (de doação de si), a amizade e o afeto"
(http://juventudecourage.blogspot.com/2010/04/castidade-e-possivel-parte-ii.html).


     Em "Seis áreas de crescimento pessoal", os autores do Coragem também dizem: "O companheirismo é necessário como meio de quebrar o hábito de estar só e de aprender a se abrir, ser honesto e fazer amizades com pessoas que compartilham nossos valores". (http://juventudecourage.blogspot.com/2011/01/seis-areas-de-crescimento-pessoal.html)


     No próprio artigo "Vivendo na verdade", os autores do Coragem deixam claro seu repúdio às atitudes discriminatórias, que deixam isoladas as pessoas com atrações pelo mesmo sexo:



"Algumas pessoas desprezam aqueles que têm dificuldades com a atração pelo mesmo sexo. A Igreja condena todas as manifestações desse tipo de atitude, como, por exemplo : piadas contra gays e lésbicas; ataques verbais e físicos; exclusão social; rejeição dos amigos ou membros da família; evitação do tema da homossexualidade; e assim por diante. Esse comportamento é sempre e muitíssimo errado. É o que a Igreja chama de 'pecado contra a caridade'. Pessoas com adversidades homossexuais enfrentam muitos desafios. Elas precisam de amor e de incentivo, e, não, de maus tratos".

     O artigo também incentiva os que são próximos a essas pessoas a lhes oferecer verdadeira amizade e apoio:



"Quando você ouvir expressões insultantes sobre pessoas que têm dificuldades com a homossexualidade, a Igreja diz: "Não fique calado!". Quando um amigo ou membro da família confidenciar com você que ele ou ela experenciam atrações homossexuais, este é o momento em que a sua amizade e resposta cristã realmente contam."

     Desse modo, o apostolado estimula que as pessoas com atrações pelo mesmo sexo se relacionem com outras pessoas, mas, não sexualmente com pessoas do mesmo sexo, sim por castas amizades e com todos. Relacionar-se pela amizade é condição de viver a castidade e é condição da jornada espiritual até Deus. A Santa Igreja e os santos também ensinam isso. Sobre a amizade e sua necessidade para a vivência da castidade diz Santo Afonso Maria de Ligório, em "Tratado da castidade":







"Descrevendo São Paulo a corrupção moral dos gentios, enumerava entre seus vícios a falta de sentimento e de susceptibilidade para a amizade. A amizade, segundo São Tomás, é mesmo uma virtude. A perfeição não proíbe se entretenham amizades, diz São Francisco de Sales; exige somente que sejam santas e edificantes, a saber, só devem ser mantidas aquelas uniões espirituais por meio das quais duas, três ou mais pessoas, comunicam entre si seus exercícios de devoção, seus desejos piedosos e sentimentos nobres, tornando-se como que um só coração e uma só alma para a glória de Deus e o bem espiritual próprio e alheio. Com toda a razão podem tais almas exclamar: 'Vede quão bom e suave é habitarem os irmãos em união' (Sl 132, 1). São Francisco diz mais que, em tal caso, o suave bálsamo da caridade destila de coração em coração por meio dessas mútuas comunicações, e bem pode-se dizer que Deus lança Sua benção sobre tais amizades, por toda a eternidade (Fil., III, c. 19). Tais amizades são recomendadas pela Escritura mesma, em termos eloqüentes: "Nada se pode comparar com o valor de um amigo fiel, e o valor do ouro e da prata não iguala a bondade de sua fidelidade" (Ecli 6, 16). 'Um amigo fiel é um remédio para a vida e a mortalidade, e os que temem o Senhor encontram um tal' (Idem). [...] Os que, vivendo no mundo, desejam dedicar-se à prática da virtude verdadeira e sólida, precisam, pelo contrário, de se unir aos outros por uma amizade santa e edificante, para poderem, por meio dela, se animar, se auxiliar e se estimular ao bem."

     Ademais, Nosso Senhor ensina que seus seguidores devem se amar uns aos outros. O amor é uma relação entre duas pessoas que se doam mutuamente, dispostas ao sacrifício pessoal pelo bem e pela salvação do outro. A Santa Igreja, como depositária da fé, ensina isso e ainda diz àqueles que sentem atrações pelo mesmo sexo:



"Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã." (Catecismo da Igreja Católica, [2359]. Grifo nosso)

     Desse modo, fica claro que ninguém, neste blog, no Apostolado Coragem ou na Igreja Católica, diz que as pessoas que sentem atrações pelo mesmo sexo devam ser sozinhas. Pelo contrário, devem viver em comunidade, cultivando amizades e amando os irmãos com toda diligência.


     Contudo, é preciso ainda considerar a situação singular de quem sente atração pelo mesmo sexo - e, talvez, seja este o seu incômodo, caro anônimo. Diferentemente daquele que sente atração pelo sexo oposto, que pode viver o celibato e pode casar-se, a pessoa que sente atração pelo mesmo sexo possui, segundo a lei de Deus, apenas uma via legítima de viver sua condição: o celibato. Isso é o que alguns chamam de "opção orientada". É uma opção porque, apesar de haver apenas uma via legítima, há ainda outras vias não legítimas, de modo que é preciso escolher vivê-la. É orientada porque aquele que deseja viver segundo a vontade de Deus, certamente a escolherá.


     É comum aborrecer-se com o constrangimento em que a situação nos coloca. Ou tudo, ou nada. Mas, na verdade, isso não se restringe à condição daquele que sente atração pelo mesmo sexo, mas, de uma forma ou de outra, permeia a vida de todo cristão, tal como testemunha São João da Cruz.


     Mas, como dissemos, a pessoa com atração pelo mesmo sexo não precisa ser solitária, nem ser infeliz. O amor da caridade é superior ao amor erótico e traz às nossas almas mais felicidade. Acaso, alguém testemunhou algum santo que, vivendo o celibato, não fosse feliz? Alguém testemunhou algum santo que trocaria a felicidade perene trazida pela caridade por um prazer instantâneo trazido pelo ato sexual? Na verdade, como diz Michael Voris em Vortex (http://www.youtube.com/watch?v=eurlWCmLvm4&feature=related), aquele que sente atração pelo mesmo sexo tem a chance de viver uma felicidade completa fazendo um bem muito maior na sua condição do que na condição de sentir atração pelo sexo oposto, pois pode associar seus sofrimentos muito mais intimamente aos sofrimentos de Jesus Cristo e, assim, nesta profunda intimidade com Deus, encontrar a paz e, ainda, alcançar a salvação de muitas almas. Como cristãos, nossa vocação é seguir os passos do Filho de Deus. Ele passou pelo Calvário e entregou-se na Cruz. Com Ele entregamos nossas vidas, submetendo-nos a esses sofrimentos que não compreendemos. Porém, com Ele também vivemos, na certeza da ressurreição e da participação da vida eterna no Paraíso. Como membros do Coragem, podemos dizer: não somos infelizes, mas somos realizados e felizes por viver a vontade de Deus.


     Por fim, é preciso dizer que o sexo tem em vista a união entre homem e mulher, e não entre pessoas do mesmo sexo. Segundo a fé, porque o Senhor criou o homem e a mulher e lhes disse: "Sejam uma só carne" (Gn II, 22); e ainda "Multiplicai-vos" (Gn I, 28). Segundo a razão, porque é fato que o sexo é em vista da perpetuação da espécie, tal como podemos ver entre os animais. O ser humano como animal, não se reproduz assexuadamente (por brotamento ou por bipartição), mas, por natureza, se reproduz sexuadamente, numa relação entre homem e mulher. Isso acontece há mais de 10 mil anos, como dizem alguns. No caso específico do ser humano, o sexo não se limita à perpetuação da espécie, mas, também, visa à união dos esposos, constituindo a família. Por isso, a finalidade da procriação está associada à finalidade da união esponsal e isso de modo que uma não pode ser separada da outra, sob o risco de perder-se o real sentido do sexo.


     Por exemplo, a separação que você subentende entre sexo e procriação (indignando-se com o plano de Deus), é feita aberta e comumente hoje em dia e se estende também à união dos esposos. É cada vez mais comum que as pessoas apenas façam sexo (não desejam formar família, nem ter compromisso com o outro). Essa prática está as acostumando com a ideia de que o sexo visa apenas o "meu" prazer e de que o "outro" é apenas um objeto do "meu" prazer. Por causa dessa visão do sexo, estão aparecendo desde jovens promíscuos até aqueles com aversão ao sexo (autointitulados "assexuados"). Ambos com horror à procriação. Se essa mentalidade avançar, o que cuidará da perpetuação da nossa espécie? Provavelmente, os laboratórios e, de pouco em pouco, avança também a mentalidade da eugenia à la "Admirável mundo novo".



" Homossexuais tem uma "desordem objetiva" ???? Me diz uma coisa, então o casal hetero, que casa, tudo aos moldes da igreja, como manda o "figurino" e não pode ter filhos por diversos motivos, devem viver a castidade tbm? porque sexo é só pra procriar???"


     É preciso dizer que a expressão "desordem objetiva" não se refere aos homossexuais, enquanto pessoas, mas aos seus desejos sexuais (atrações ou inclinações eróticas). Isso porque, como visto, o sexo tem em vista a procriação e a união dos esposos. Assim, se os desejos sexuais levam o homem e a mulher a fazer sexo, um com o outro, em vista da procriação e da união dos esposos, então dizemos que seus desejos são ordenados, pois os dispõem a buscar os bens próprios do sexo. Mas, se os desejos sexuais levam o homem e a mulher a fazer sexo em vista doutras coisas (como, por exemplo, só sentir prazer ou violentar o outro), dizemos que seus desejos são desordenados, pois não os dispõem a buscar os bens próprios do sexo. Ademais, se a desordem de certos desejos sexuais por si só já exclui os bens próprios do sexo, dizemos que a desordem é objetiva.


     O desejo sexual por alguém do mesmo sexo leva o homem a fazer sexo com outro homem e leva a mulher a fazer sexo com outra mulher. É fato que esse tipo de sexo não gera outras vidas humanas e, na verdade, naturalmente não pode, pois isso requer os dois gametas (espermatozóide e óvulo) e um órgão próprio para a gestação, como o útero. Além disso, a união entre pessoas do mesmo sexo é uma união entre iguais. Porém, a união esponsal supõe complementariedade. Um completa o outro. Mas, aqueles que são iguais não se completam, pois o que um possui o outro também possui e o que falta a um também falta ao outro. Assim, a união entre pessoas do mesmo sexo não é uma união esponsal, nem pode sê-la. Logo, como o desejo sexual por alguém do mesmo sexo não leva à aquisição dos bens próprios do sexo, mas os exclui por si só, dizemos que ele é desordenado e que sua desordem é objetiva.


     Entendido isso, é preciso dizer que o casal (de homem e mulher) que é infértil pode fazer sexo, pois seus desejos sexuais não são objetivamente desordenados, mas estão ordenados à procriação e à união esponsal. Porém, fazendo sexo, alguma privação de ordem material no corpo (a infertilidade) impede que o bem da procriação seja alcançado, apesar desses homem e mulher alcançarem o bem da união esponsal - pois sua infertilidade não anula a diferença sexual de um e de outro (masculino e feminino) e, assim, existe complementariedade. Se eventualmente aquela privação for curada, o casal poderá alcançar pelo ato sexual o bem da procriação.  Diferentemente, a relação entre dois homens ou entre duas mulheres é por si mesma infértil. Mesmo que seus corpos estejam em plena saúde, mesmo não sofrendo de nenhuma debilidade ou privação, eles não poderão alcançar pelo sexo o bem da procriação, nem o bem da união esponsal. Logo, a comparação feita por você é inadequada e sua queixa não procede.


"Digo-lhes uma coisa... não sei exatamente o que sou mas não vem ao caso, só posso afirmar algo, Deus me ama, do meu jeito, e eu sei disso... eu sinto... e não existe ser humano (passivel de muitos e muitos erros) na face da terra que vai me dizer ao contrário... "


     Caro anônimo, você sabe o que é, pois você mesmo diz: alguém amado por Deus. Fazemos apenas o adendo: ser humano, criado à imagem e à semelhança de Deus, feito pela graça filho de Deus e herdeiro da vida eterna. Como visto anteriormente, "homossexual", "heterossexual", "bissexual", "pan-sexual", "assexual", et cetera, não são identidade de ninguém, mas são adjetivos usados pela ideologia marxista, que entende a sexualidade humana como uma construção social, e pelo ativismo gay, que defende a fundação de uma cultura e de uma comunidade gay.


     Além disso, é preciso esclarecer que ninguém deste blog, nem do Apostolado Coragem, nem da Santa Igreja, disse que você não é amado por Deus. Muito conhecida é aquela máxima: "Deus ama o pecador, mas não ama o pecado"; e ela é verdadeira. Mas, é preciso dizer que não é seguro você basear sua fé em sentimentos, pois eles mudam facilmente, dependendo das circunstâncias. Num momento, sente-se arder uma chama invisível em nosso interior, indicando amor. Noutro instante, sente-se escapar todas as forças, restando um profundo vazio indicando abandono. Essa mudança acontece por diversas razões, psicológicas e físicas, e por isso não são critério para saber se Deus nos ama. Ademais, sentimentos indicam o estado da nossa alma, não o amor de Deus por nós. Contudo, o amor de Deus por você e por todos nós pode ser conhecido pela inteligência e pela revelação divina.


     Quanto à via da inteligência, oferecemos, por hora, uma reflexão simples (que alguns podem encarar como infantil), mas que diz muito e, por isso, exige atenção e um verdadeiro desejo de conhecer (afinal, a liberdade e a inteligência do ser humano lhe expõem à situação delicada de, mesmo confrontando a verdade, poder rejeitá-la). A consideração da ordem do mundo sugere que isso possui um autor, pois a ordem é efeito da inteligência. Não fomos nós quem fizemos o mundo, logo deve haver alguém que o tenha feito. Chamamos o autor do mundo de Deus. Avançando  nossa consideração, concluímos que, como ser perfeito, Deus é dotado, também, de vontade.  Sendo dotado de vontade, Deus decide agir e sua vontade é livre. Sendo perfeito, Deus não precisa de nada além de si mesmo, por isso não precisava nos criar. Porém, nós estamos aqui e isso significa que Deus pensou em nós e, defrontado conosco, amou-nos tanto que Ele quis nos criar. É, por isso, que Pe. Cantalamessa (pregador da Casa Pontifícia) afirmou em uma de suas homilias: "O mundo é efeito de uma ação de amor. O amor de Deus é a causa do mundo". Ademais, como autor do mundo, Deus pode tanto criá-lo como destruí-lo. Diante de tantas ações más e cruéis do ser humano, que vacila constantemente na vivência da justiça e da verdade, Deus bem poderia destruir tudo e isso seria justo. Porém, Deus não faz isso. Na verdade, testemunhamos sempre um novo dia e um novo instante. Nesse sentido, é como se Deus dissesse às suas criaturas: "Eu confio em vocês. Sei que podem mudar e fazer melhor". Assim, a continuação da criação sugere também um grande amor de Deus por nós.   


     Para aprofundar o que dissemos, sugerimos a leitura dos textos filosóficos e teológicos de São Tomás de Aquino (Suma de teologia e Suma contra os gentios), de Chesterton (Ortodoxia, Hereges e O homem eterno) e de C. S. Lewis (Cristianismo puro e simples).


     Quanto à via da revelação, sabemos pela Tradição e pelas Sagradas Escrituras que Deus nos criou, que nos deu uma alma imortal e que nos destinou a viver no Céu, com Ele. Porém, sedemos à tentação do demônio, pecamos, fomos orgulhosos e egoístas, rejeitando fazer a vontade d'Aquele que é a Verdade, a Vida e o Amor. Como cometemos a mais grave ofensa contra aquele que é o mais santo, perdemos a vida da graça e cavamos um infinito abismo entre nós e Deus. De acordo com a justiça, só poderíamos voltar à comunhão com o Altíssimo, se nós oferecêssemos um sacrifício que equivalesse à ofensa feita. Mas, o que poderia a criatura pecadora oferecer de seu que equivalesse à gravidade da ofensa e à santidade de Deus? Aparentemente, o demônio havia conseguido nos tirar a herança, apartando-nos de Deus para sempre. Porém, o Senhor não desistiu de nós e preparou ao longo dos séculos uma reviravolta inimaginável, para testemunhar todo Seu amor a cada um de nós. Chegada a plenitude dos tempos, o Pai eterno enviou o Seu único Filho e Deus se fez carne. Nasceu Jesus, o Cristo, verdadeiro Deus e verdeiro homem. Ele levou a revelação à plenitude e, no fim, entregou-se na cruz em sacrifício. Ora, nós, pecadores, não tínhamos o que sacrificar de nosso que pudesse equivaler à gravidade da ofensa ou à santidade de Deus, mas um homem tinha: Jesus. Ele tinha a si mesmo, como santo e Deus. Desse modo, Aquele que foi ofendido fez-se homem e ofereceu-se a si mesmo em sacrifício para redimir toda a humanidade e esse homem era Deus, e Seu sacrifício santo pagou toda dívida humana e pelo Seu sangue fomos salvos. Este, caro anônimo, é a prova do amor de Deus por você. Ele te criou, Ele te salvou. Por isso, é verdade que não importa quem diga o contrário (e não o fazemos em nenhum momento), você é amado por Deus até o extremo da Cruz.


     Por fim, é preciso dizer que a verdade, para ser verdade, não depende daquele que a diz, mas da sua evidência. A evidência é apreendida pela razão, por meio do seu uso natural ou por meio da aceitação de algo revelado. Do primeiro modo, a evidência é apreendida da realidade, por meio dos sentidos e pelo uso da inteligência. Do segundo modo, a evidência é dita analogamente, no sentido de que o homem é convencido da verdade. Nesse caso, Deus revelou pelos profetas e pelo Seu Filho Unigênito as verdades da salvação. O ser humano que as aceita é convencido da verdade delas por causa da ação do Espírito Santo na alma. Desse modo, mesmo que um homem pratique injustiças, ele pode e deve defender que a justiça é um bem. Se não o fizer, além de injusto, é um mentiroso que ensina o erro. Nesse caso, a injustiça do homem não torna falso que a justiça é um bem (pois isso é evidente pela razão), porém prejudica a confiança que os outros têm nesse homem. Assim, mesmo que nós, do Juventude Coragem, sejamos pecadores e mesmo que, por um infortúnio, isso venha a prejudicar a confiança das pessoas em nós, isso não torna mentirosa a mensagem de Nosso Senhor e da Santa Igreja que transmitimos neste blog. O que transmitimos não é palavra nossa, mas é a Palavra de Deus revelada, que nos foi ensinada pela Igreja e que foi passada de geração em geração desde os Apóstolos. Nós cremos nessa Palavra, estamos convencidos da Sua verdade e, por isso, a anunciamos a você e a muitos outros.


"...e aqueles que são homossexuais, e tem um relacionamento saudável, com um parceiro fixo, mas tem caráter, pagão impostos, são pessoas boas, e do bem, fazem muito mais bem ao próximo do que muitos pseudos cristãos que eu vejo por ai, tbm tem o amor de Deus... e não será um mero humano pecador, seja padre, seja pastor, seja o que for... o papa! Que vai dizer o contrário... Não esqueçam... palavras claras... 'Não julgais para não seres julgado!' "


     É preciso dizer que, mesmo que os homossexuais (enquanto pessoas que agem segundo seus desejos sexuais) sejam de algum modo virtuosos, a virtude que praticam não torna bom o pecado que também praticam. Assim como a generosidade não torna boa a corrupção de um político, nem as práticas religiosas tornam bons o descaso e o egoísmo de certos cristãos, também as boas obras dos que vivem a homossexualidade não tornam bons os seus pecados contra a castidade.   Ademais, não importa se pecamos muito ou pouco, leve ou gravemente, o pecado é sempre mal, pois é contra Aquele que é a Verdade, a Vida e o Amor. Tendo isso em mente, assim como não há serventia em comparar dois copos de água suja (pois, ambos não servem para beber), assim também não há serventia em comparar  dois ou mais pecadores (pois ofendem a Deus, um de um jeito, outro de outro jeito). É verdade que Deus nos ama a todos (como visto anteriormente), porém Deus odeia o pecado, de tal modo que Nosso Senhor mesmo disse que, no Julgamento Final, Ele se dirigirá aos que persistiram no pecado com estas palavras: "Retira-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos" (Mt XXV, 41). 


     Ademais, é preciso dizer que as relações homossexuais não são saudáveis, porque não levam ao bem da pessoa, quanto ao corpo e quanto à alma. Sobre o bem do corpo, deixaremos que isso seja discutido pelos médicos, como os da NARTH (National Association of Therapy on Homosexuality : http://narth.com/main-issues/medical-issues/). Contudo, a Santa Igreja ensina que as relações homossexuais não levam ao bem da alma. O bem da alma é o estado de graça, que é conservado pela santidade e, assim, pela recusa do pecado. Porém, os atos homossexuais são pecados contra a castidade.


     A castidade é a virtude de dispor da sexualidade segundo a reta razão. Como visto anteriormente, pela razão conhecemos que os bens próprios do sexo são a procriação e a união esponsal. Pela fé, aceitamos que a procriação e a união esponsal foram elevadas por Nosso Senhor à condição de sacramento (o matrimônio), quando Ele diz "assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu" (Mt XIX, 6). Por isso, aquele que ainda não recebeu o sacramento do matrimônio, vive a castidade pela abstênção. Aquele que o recebeu, vive a castidade pela fidelidade ao esposo. Entendido isso, conclui-se que todo uso do sexo fora do matrimônio e sem ter em vista a procriação e a união esponsal é pecado. Os atos homossexuais estão fora do matrimônio e excluem, por si mesmos, os bens próprios do sexo. Logo, são pecados contra a castidade e não são bons para a alma. Deus manifestou claramente seu descontentamento com esses atos:
"Se um homem dormir com outro homem, como se fosse mulher, ambos cometerão uma coisa abominável" (Lv XX, 13)
     Também manifestaram reprovação a esse comportamento os santos, como atesta artigo feito pelo blog Bíblia Católica : http://www.bibliacatolica.com.br/blog/doutrina-catolica/o-homossexualismo-na-visao-dos-padres-santos-e-doutores-da-igreja/.


     É preciso frisar que, em geral, os pecados contra a castidade (como masturbação, por exemplo), apesar de mortais (e, por isso, privam   totalmente as almas do estado de graça), não são os mais graves. Contudo, em particular, a relação homossexual é pecado gravíssimo, sendo um dos quatro pecados que bradam ao Céu, exigindo a punição divina (http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?IDmat=B18D1CA2-2108-4624-8088BB89E4AF40F0&mes=Dezembro2003). Todavia, mesmo considerando isso, quem sente atração pelo mesmo sexo e deseja viver a castidade não deve se desesperar, nem duvidar da Divina Misericórdia. As atrações pelo mesmo sexo, por si só, não são pecado, porque não dependem da vontade humana. Assim, mesmo enfrentando intensas tentações e sofrimentos, a pessoa pode e deve lançar-se no oceano da Divina Misericórdia, clamando o socorro do Senhor (nosso amado, nosso consolo) e entregando-se à sua Santa Vontade. Santa Faustina é enfática sobre isso: "Quando uma alma ama sinceramente a Deus, não deve temer nada na sua vida espiritual. Submeta-se à influência da graça e não ponha limites à união com o Senhor". Ademais, deve-se ter claro que espiritualidade não se resume a se preocupar com sexo. É preciso não apenas ocupar-se em viver a castidade, mas também em viver as outras virtudes cristãs, das  pequenas até as grandes. 


     Além disso, é verdade que Nosso Senhor disse "Não julgueis e não sereis julgados" (Mt VII, 1), mas também é verdade que Ele disse "Não julgueis segundo a aparência, mas segundo a reta justiça" (Jo VII, 24) e, ainda, "do mesmo modo que julgardes, sereis também vós julgados e, com a medida com que tiverdes medido, também vós sereis medidos" (Mt VII, 2). Hoje em dia, é comum que entendam essas palavras como uma proibição absoluta do julgamento. Entendem, no limite, que, deixando de julgar, serão poupados do julgamento de Deus e, mesmo que pequem gravemente e obstinadamente, nada sofrerão, porque não julgaram os pecados seus e dos outros como ações más e reprováveis. Contudo, pensando assim, enganam-se, pois Nosso Senhor é claro quando diz: 


"Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso.  Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.  Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estão à direita: - Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo .... Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos ... E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna." (Mt XXV, 31-32).


     Desse modo, seremos julgados por nossos atos e, omitindo-nos em nos corrigir uns aos outros, também o seremos por nossas omissões. Com as palavras "Não julgueis e não sereis julgados" (Mt VII, 1), Nosso Senhor não nos proibiu julgar, isto é, distinguir o bem do mal e dizê-lo aos outros, mas proibiu o julgamento injusto e o julgamento presunçoso. Do primeiro modo, todos concordam que o julgamento, se feito, deve ser segundo a justiça.


     Do segundo modo, pode-se falar, ao menos, de dois modos. Do primeiro modo, como julgamento feito por alguém que se considera perfeito (ou próximo da perfeição) e superior aos outros - a quem considera imperfeitos. Este, enquanto pecador, erra no julgamento que faz sobre si mesmo, atribuindo a si virtudes que não possui e, ainda, peca contra a humildade, buscando exaltar-se sem mérito, quando deveria ouvir e recordar a Palavra do Senhor que diz: "Aquele que se exaltar será humilhado e aquele que se humilhar será exaltado" (Mt XXIII, 12). Do segundo modo, como julgamento feito a respeito de algum assunto desconhecido, mas presumindo possuir conhecimento sobre ele. Quem julga assim errará certamente, pois a justiça exige a sabedoria, e ainda peca contra a humildade, presumindo poder julgar aquilo que ele mesmo não é capaz de julgar, como, por exemplo, o que está nos corações das pessoas e não é dito nem é manifestado por eles - na verdade, isto pode ser julgado apenas por Deus.


     Sobre o julgamento, ensina a Santa Igreja:




"No mais profundo da consciência, o homem descobre uma lei que não se deu a si mesmo, mas à qual deve obedecer e cuja voz ressoa, quando necessário, aos ouvidos do seu coração, chamando-o sempre a amar e fazer o bem e a evitar o mal [...]. De facto, o homem tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus [...]. A consciência é o núcleo mais secreto e o sacrário do homem, no qual ele se encontra a sós com Deus, cuja voz ressoa na intimidade do seu ser" (Gaudium et Spes 16).


     Ela ainda ensina, no Catecismo, que:


1777. Presente no coração da pessoa, a consciência moral [Rm II, 14-16] leva-a, no momento oportuno, a fazer o bem e a evitar o mal. E também julga as opções concretas, aprovando as boas e denunciando as más [Rm I, 32]. Ela atesta a autoridade da verdade em relação ao Bem supremo, pelo qual a pessoa humana se sente atraída e cujos mandamentos acolhe. Quando presta atenção à consciência moral, o homem prudente pode ouvir Deus a falar-lhe. 
1778. A consciência moral é um juízo da razão, pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral dum acto concreto que vai praticar, que está prestes a executar ou que já realizou. Em tudo quanto diz e faz, o homem tem obrigação de seguir fielmente o que sabe ser justo e recto. E pelo juízo da sua consciência que o homem tem a percepção e reconhece as prescrições da lei divina




     Entendido isso, é preciso dizer que a Santa Igreja não erra por julgar como más e repreensíveis as ações contrárias à Palavra d'Aquele que é a Verdade, a Vida e o Amor. Tampouco erram os que julgam conforme a justiça e com humildade. Como visto anteriormente, mesmo um pecador pode e deve dizer a verdade, julgando conforme a justiça e denunciando o que é mau e repreensível para corrigir o que está errado e promover o bem.


     Todavia, é preciso dizer que você, caro anônimo, julgou e que julgou errado. Primeiro, você diz: "... não será um mero humano pecador, seja padre, seja pastor, seja o que for.... o papa! Que vai dizer o contrário" e, assim, sem ser direto, faz um juízo sobre os cristãos e, ainda, dá a entender que a Santa Igreja defende que Deus não ama as pessoas que sentem atrações pelo mesmo sexo. A respeito dos cristãos, é correto seu juízo: somos humanos e pecadores. Porém, como mostramos anteriormente, a Igreja não defende que Deus odeia os homossexuais, mas defende que Deus nos ama a todos e odeia o pecado. Você fez juízos (subentendidos numa expectativa de ação por parte da Igreja), um deles correto e o outro errado. A seguir, mostraremos outros juízos que você faz e apontaremos os erros que contiverem.



"Sabe o que eu acho uma pena... as igrejas em geral, acham(seus "fieis" ou ordenadores) que são melhores que os demais... ao invés de trazer as pessoas como elas são, sem julgamentos ou imposições pra dentro da igreja, afastam... Rotulam... e usam a biblia pra isso."





     Caro anônimo, não pretendemos responder por outras igrejas e seus membros. Nós, deste blog, pertencemos à única Igreja fundada por Nosso Senhor, que também é santa, católica, apostólica e romana. Porém, referindo-se ao que for, alertamos o anônimo para o risco de você fazer generalizações injustas. Por exemplo, você julga que "as igrejas, em geral, acham (seus 'fiéis' e ordenadores) que são melhores que os demais". Certamente, achar-se melhor do que os outros, sem ter mérito e por orgulho, é mau e repreensível. Porém, com base em que você diz que "as igrejas em geral" são assim? Seu juízo envolve muitos equívocos.


     Primeiro, presume conhecer o comportamento das igrejas em geral, quando há nominalmente centenas de igrejas. Para que sua presunção não seja avaliada como vaidade, você precisa apresentar provas. Sobre isso, desconhecemos qualquer tipo de senso ou de pesquisa de opinião que mostre que as igrejas em geral pensam como você diz. Tampouco, da Santa Igreja, conhecemos qualquer documento ou ensinamento que comprove seu juízo.


     Segundo, é lícito dizer que um homem é melhor do que outro, quando nos referimos à prática de certa virtude. Nesse sentido, dizemos que certa pessoa é mais generosa do que outra, mais corajosa, mais sábia, mais misericordiosa, e assim por diante. Como a virtude é melhor do que o vício, acabamos dizendo que os virtuosos são melhores do que os persistentes no vício. Você mesmo, caro anônimo, faz esse tipo de juízo quando diz: " aqueles que são homossexuais, e tem um relacionamento saudável, com um parceiro fixo, mas tem caráter, pagão impostos, são pessoas boas, e do bem, fazem muito mais bem ao próximo do que muitos pseudos cristãos que eu vejo por ai, tbm tem o amor de Deus". Contudo, não é possível dizer que um homem é melhor do que outro quanto à toda virtude, pois todos (com excessão de Maria e de Jesus) nasceram no pecado e pecaram durante a vida; nem quanto à essência, porque todos partilham da mesma essência humana. Particularmente, Nosso Senhor é melhor do que nós tanto em relação à virtude (pois é Santíssimo sem qualquer mancha do pecado), quanto em relação à essência (pois é homem e Deus). Entendido isso, se alguém disser que o homem honesto é melhor do que o homem corrupto quanto a esta virtude, seu juízo estará correto, pois a honestidade é melhor do que a corrupção. Assim também, se alguém disser que os que vivem a castidade são melhores quanto à esta virtude do que os praticantes de atos homossexuais, seu juízo estará correto, já que a castidade é melhor do que o vício da sodomia. Porém, se disser que são melhores quanto a toda virtude, ou quanto à essência, seu juízo estará errado, pois todos são pecadores (de um jeito ou de outro) e todos partilham a mesma essência humana.


     Terceiro, não é necessário que, mostrando o erro dos outros, nos julguemos melhores do que eles quanto à toda virtude, nem quanto à essência. Arriscaríamos  dizer: nem quanto à certa virtude. É possível? Sim, é possível. Como visto anteriormente, Nosso Senhor repreendeu homens que presumiam ser perfeitos e conhecedores de tudo, enquanto julgavam os outros injustamente e sem misericórdia. Porém, também foi visto que é possível e é dever separar o que é bom do que é mau, agindo segundo o bem, recusando o mal, julgando conforme a justiça. Desse modo, é possível que, mostrando o erro dos outros, queiramos seu bem, para que também eles façam o que é bom e deixem de fazer o que é mau.


     Caro anônimo, é realmente lamentável a presunção dos homens, não só daqueles que abraçaram a fé no Cristo, mas também daqueles que, por várias razões, ainda caminham desorientados pelo mundo. Porém, não lamente as palavras de correção proferidas pela Santa Mãe Igreja e conforme a justiça. Na verdade, lamentável é a omissão deste mundo que abandona milhões de pessoas à morte, fazendo silêncio sobre as injustiças e promovendo apenas o que escraviza o corpo e a alma dos homens.


     Porventura, sabendo que alguém age mal e repreensivelmente, ofendendo a Deus e aos outros, lhe faremos bem se ficarmos quietos, deixando-o persistir nas mesmas ações más e repreensíveis? Vendo-o escorregar para o abismo, deixaremos que pereça? Ademais, se cremos que Jesus é Senhor e Deus e que é verdadeira Sua palavra, deixaremos de anunciá-los aos que ainda não crêem? Descobrindo um grande tesouro, abandonaremos os outros na miséria? Se essas perguntas ecoarem na sua consciência, entenderá que não convém "trazer as pessoas como elas são, sem julgamentos ou imposições para dentro da igreja" se isto significar fazer vista grossa para suas faltas, sem nunca tocar no assunto. Contudo, se isto significar acolher as pessoas, sabendo que são pecadoras e que eventualmente pecarão, mas que abraçaram a fé, desejosas de se aproximar cada vez mais da perfeição cristã, então convém trazer as pessoas como elas são para dentro da igreja.


     Mas, isso não é novidade. Apesar de possíveis atos de injusta discriminação de alguns cristãos, a Santa Igreja (sustentada pela graça de Deus) nunca fechou suas portas para ninguém. Uma evidência disso são os santos. Na história da Igreja, houve santos pobres e ricos, analfabetos e letrados, camponeses, guerreiros, sacerdotes, religiosos, magistrados, reis, homens, mulheres, casados, solteiros e celibatários, crianças, jovens, adultos e idosos, mártires, enclausurados e missionários, das mais variadas etnias, culturas, línguas e nações. Porque a Igreja é católica, ou seja "universal", Ela não rotula nem discrimina ninguém, mas, como depositária da fé, não deixa de chamar o que é bom de bom e o que é mau de mau. Ela acolhe o pecador, mas lutará até o fim para que ele abandone o pecado e viva a santidade.


     Por fim, julgue por si mesmo, depois de tudo o que foi dito até aqui, se usamos apenas a Bíblia e se apenas rotulamos. Por hora, apenas você rotula o cristão de "mero pecador humano", como se isso fosse depreciativo. Esta é a condição de todos, humanos e pecadores. Como diz Chesterton, em Ortodoxia, enquanto humanos, somos as criaturas mais privilegiadas, agraciados com um espírito imortal e eleitos para vida eterna, porém, enquanto pecadores, somos os seres mais baixos e culpados por recusar a grandeza à qual fomos destinados.





"Quero ver a igreja botar um mendigo que está sentado na sua calçada pra dentro... Ahhh isso não fazem né? Depois infelizmente as pessoas acabam se afastando de Deus, e mais ainda são criticadas, acabam se tornando ateus, e ai fica aquela guerra..."





     Caro anônimo, sua queixa e sua acusação são injustas. Perguntamos: qual foi a última vez que você visitou a Igreja e buscou conhecer a realidade dela e os trabalhos feitos ali pelos fiéis? Essa pergunta não é sem propósito. Busque saber, pois, se for como disse, essa deve ser a realidade lamentável da igreja que você frequenta ou imagina em sua mente com base nos seus preconceitos, mas essa não é a realidade da nossa Igreja. Em cada paróquia, é dificílimo não existir pastorais e, dentre elas, pastorais dedicadas aos pobres, aos dependentes químicos e às pessoas que mais precisam de ajuda. Há ainda centenas de trabalhos por todo o Brasil financiados e promovidos por católicos, como a assistência feita pela Pastoral da criança [https://www.pastoraldacrianca.org.br/], pela Sociedade São Vicente de Paulo (os vicentinos) [http://ssvpbrasil.org.br/], pela Casa Betânea (da Canção Nova) [http://www.bethania.com.br/inicio], pelos franciscanos, pela Toca de Assis [http://www.tocadeassis.org.br/], pelas capelanias presentes em hospitais (para confortar os doentes na dor), pelos missionários salesianos (indo às comunidades mais isoladas e pobres), et cetera. Há ainda outras tantos financiados e promovidos por protestantes e evangélicos, e centenas de outras obras de caridade feitas por cristãos em silêncio, longe dos holofotes da mídia.


     Você se queixa injustamente que a Igreja não leva os mendigos para dentro dela. Ora, se conhecesse São Francisco de Assis e Santo Antônio de Pádua, que deixaram frutos até hoje, saberia que eles viveram a extrema pobreza, porque a escolheram, e foram aos mais pobres, levando-os à Santa Igreja e para Deus. Eles ainda davam o que tinham para suprir a fome dos outros. Se conhecesse São Francisco de Sales e São João Bosco, saberia que este último nos legou um trabalho sem comparação com as crianças pobres e marginalizadas, fundando a ordem dos salesianos. Se conhecesse a Beata Madre Teresa de Calcutá, saberia do seu trabalho e das pequenas irmãs para cuidar dos mais pobres, valendo-se apenas da Divina Providência. Se conhecesse Santo Padre Pio, saberia que ele fundou um hospital, mesmo sendo um frade franciscano, sem posses suas, e o construiu para poder consolar os doentes na dor, e que este hospital é hoje referência na Europa. Se conhecesse Santa Catarina de Sena, saberia que ela ia até às prisões, catequisar e consolar os presos e condenados, e chegava a beijar-lhes a cabeça em sinal de amor. Se conhecesse as obras da Santa Igreja, saberia que Ela é a maior responsável por manter hospitais para tratar de pessoas contaminadas pela AIDS (independentemente da maneira como essas pessoas pegaram a doença). Se conhecesse o Santo Padre Bento XVI, saberia que ele doou grande soma de dinheiro para socorrer as vítimas dos terremotos no Haiti e no Japão. Se conhecesse os santos da Igreja, se conhecesse os cristãos, se conhecesse as obras, talvez você não faria um juízo tão errado e presunçoso como o que você fez. Mas a Igreja vai apenas aos mendigos e aos pobres? Não, ela também vai às prostitutas, aos pedófilos, aos estupradores, aos depravados, aos drogados, aos ladrões, aos corruptos, aos mentirosos, aos assassinos, aos adúlteros... enfim, ela vai aos pecadores e aos mais necessitados e a todos esses ela diz: "Convertei-vos a Jesus Cristo, Filho do Deus Vivo! Abandonem o pecado e abracem a herança que Deus vos preparou desde a eternidade!".


     Resta, por fim, a pergunta: e você, caro anônimo, o que fará agora? 




"Enfim. (Quero só ver se esse comentario vai ser autorizado, ou se só os comentários a favor serão aceitos... se não aceitar, saiba que você que está lendo esse comentário e vai negar, é um hipócrita.) Abraço."


     Como você pode notar, o comentário foi publicado. Também foi longamente comentado por nós. Cremos que a Providência Divina permitiu que você nos escrevesse, pois você conseguiu em um comentário reunir vários temas e dúvidas que comumente geram confusões e indignação nas pessoas, quando buscam saber sobre o ensinamento da Santa Igreja sobre a homossexualidade. Agradecemos publicamente a Deus por nos confiar esta tarefa. Agradecemos à Santíssima Virgem por ter rezado e cuidado de nós. Agradecemos aos anjos e aos santos por seu cuidado e intercessão durante a realização deste comentário. Agradecemos a você, anônimo, por ter nos escrito. Esperamos que tenha sido de ajuda. Esperamos tê-lo exortado e corrigido. Por fim, esperamos ter conquistado um irmão ou uma irmã de caminhada. Nossa jornada não é fácil. Ela é dura. Temos que enfrentar incompreensão das pessoas no dia-a-dia, daqueles que estão na Igreja e daqueles que estão fora dela. Mas, viver por Jesus é tudo para nós. Ele nos salvou do abismo em que estávamos caindo. Deixe que Ele salve você também. 


Juventude Coragem