segunda-feira, 16 de abril de 2012

Como parar de ver pornografia


Se você ou alguém que você ama está viciado em pornografia ou sexo, é uma esperança saber que existem saídas para esse ciclo compulsivo. Mas, como acontece em qualquer vício, quebrá-lo é um grande desafio.

O processo de superar a pornografia deve incluir ações que lidam com os efeitos do vício na pessoa e nos outros, bem como ações que tornam o viciado mais forte e resistente, de modo que não se torne de novo uma vítima das tentações.

Os componentes a seguir formam um plano de ação para superar o vício em pornografia ou sexo.


Admita que há um problema

Muitas vezes temos dificuldade de reconhecer que há algo de errado conosco ou com nosso comportamento. Mas esse primeiro passo é vital. Se você não está disposto a admitir que perdeu o controle de si mesmo, e que ver pornografia ou se masturbar é um problema, então nenhuma outra dica vai funcionar direito.


Livre-se do material pornográfico

Se você quiser ter sucesso em superar o vício deve eliminar a pornografia de sua vida. Isso significa deletar ou jogar fora arquivos de computador, jogos, figuras, filmes, revistas e livros. Significa se livrar de e-mails antigos, transcrições de chat. Livrar-se disso tudo de uma vez, definitivamente, não apenas guardar em um local onde possa pegar depois. Dependendo do caso, talvez seja necessário cancelar inscrições em programas de mensagens instantânea (messengers), mudar o e-mail, ou mesmo o número de seu celular. E não se deve ter pena de fazer isso.


Traga as coisas para a luz

Como em muitos vícios, a fixação por sexo e pornografia cresce na escuridão. Traga as coisas para a luz. Isso significa confessar a alguém o que você fez. Pode ser para um líder religioso, mas pode ser também para pessoas de sua extrema confiança. Coloque seu computador em um lugar da casa onde qualquer pessoa que passe por ali possa ver o que você está fazendo e o que está no monitor.


Coloque limites em si próprio

Por exemplo, se o problema está na internet, instale um filtro, e peça para alguém colocar senha, de modo que você não saiba. Se você se sente tentado a passar em alguma locadora, banca de revistas ou clube “para maiores”, procure mudar sua rota, para evitar passar em frente desses lugares. Coloque limites significativos em si próprio.


Descubra seus "gatilhos" e planeje alternativas

Todo viciado tem alguns sentimentos, pensamentos ou experiências que precedem e levam à ação. Identifique os seus gatilhos e tente minimizá-los ou reagir de forma diferente a eles. Por exemplo, se o seu gatilho é ficar sem fazer nada, prometa a si mesmo que, quando isso acontecer, você vai caminhar por dez minutos, ou fazer um exercício. Se o seu gatilho é se sentir rejeitado, tente reafirmar seu valor pessoal. O importante é planejar previamente atividades diferentes para fazer na hora que sentir vontade de ver pornografia, como por exemplo: rezar, ligar para um amigo, fazer um exercício, ir para o cinema, conversar com um grupo de amigos, cantar músicas cristãs etc. É bom quando criamos um estilo de vida que substitua o comportamento de vício.

É importante também ir com o tempo refletindo em suas motivações mais profundas. As raízes de seu comportamento de vício em sexo e pornografia podem ter se plantado em tempos passados, com experiências que dificultaram o desenvolvimento físico, emocional ou espiritual. Exemplo disso pode ser: traumas, violências, abusos, rejeições, falta de perdão, orgulho, entre outras raízes. Conhecendo as raízes do problema, você terá mais conhecimento de si e mais ferramentas para mudar o cenário de seu hábito, permitindo uma cura de feridas mais profundas.


Partilhe com alguém de confiança

Uma das coisas importantes é ter um amigo ou amiga, pai, mãe, irmão, ou um líder religioso, enfim, uma pessoa a quem possa relatar com certa periodicidade sobre seus sucessos e falhas. Essa pessoa vai ajudar a colocar limites e controle em você mesmo, pois você sabe que já não é capaz por si mesmo de se segurar.

("O Filho Pródigo", quadro de Rembrandt)



Tenha uma vida de oração

O papel da oração é fundamental, e por oração entenda também arrependimento, confiança em Deus, entrega. Isso é difícil. Não gostamos de nos arrepender, porque não gostamos de admitir para nós mesmos que estamos errados. Não gostamos de entregar nossa vida a Deus, porque fomos ensinados a ter controle total sobre ela. Não gostamos de confiar em Deus, porque não acreditamos ou porque há um mau exemplo de alguém que você amava e que lhe traiu.
Muitas pessoas acham muito poderosa a oração do Rosário (o terço). E você não deve rezar só por você mesmo. Reze pelas pessoas que seu vício já prejudicou. E embora possa parecer estranho, reze também pelas mulheres e homens que você viu tendo seus corpos e imagem explorados no material pornográfico. Muitas dessas pessoas não estão ali porque querem, e não gostam daquilo, pelo contrário, sofrem muito com aquilo. Isso vai fazer com que você deixe de ver as pessoas como objeto, e passe a vê-las como pessoas que precisam de respeito e de amor verdadeiro, tanto quanto você.

Não se torne escrupuloso

Uma armadilha em que muitas pessoas caem é se tornar escrupuloso, examinando constantemente a si mesmo para ver se pecou ou não. Um jovem uma vez perguntou se estava pecando ou não, só porque tinha visto uma mulher bonita. É normal que homens se sintam atraídos por mulheres. Isso não é pecado, na verdade está no plano de Deus. Mas a diferença é quando, depois de olhar para a mulher, você passa a imaginar tudo que podia fazer com ela sexualmente. Isso é diferente...

Não se desespere

Jesus não veio ao mundo e morreu numa cruz para nos condenar justamente quando mais precisamos de ajuda. Ele veio para nos levantar e para salvar. O Senhor corrige, o demônio acusa. Você não é inimigo de Deus, você é seu filho(a) muito amado(a). Ele conhece tudo, mesmo as coisas que lhe envergonham. E Ele lhe ama com um amor que liberta, que aquece e conforta. Deus tem mais desejo de resgatar você do que uma mãe tem desejo de resgatar o filho de uma casa em chamas. Sair desse vício é possível. Só porque nunca nos livraremos das tentações não caia no erro de acreditar que todos os homens do mundo vêem pornografia e se masturbam. Não é assim. Jesus veio nos transformar, redimir nossa mentalidade, nos fazer livres. É possível ficar livre de pornografia e masturbação, não importa quantas vezes já tenha tentado. O processo pode ser longo. Você pode ter muitas recaídas. Mas a misericórdia de Deus é infinita e Ele estará sempre esperando por você.
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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Posso comungar tendo o vício da masturbação e da pornografia?


Convido a assistir o excelente (como sempre) vídeo do Pe. Paulo Ricardo, que pode ajudar muitas e muitas pessoas que estão passando por dificuldades.


Do site do Pe. Paulo Ricardo: http://padrepauloricardo.org/audio/73-a-resposta-catolica-posso-comungar-tendo-o-vicio-da-masturbacao-e-da-pornografia/

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Eu não deveria ser livre para fazer o que quisesse???


Por Jason Evert

Qual dos dois homens abaixo é livre?

O primeiro homem vive sozinho e não está em um relacionamento porque não quer estar ligado a ninguém por nenhum compromisso. Frequentemente ele passa as noites fora, usufruindo o fato de que não tem que prestar contas a ninguém de que horas vai chegar em casa. Em outras noites, ele passa horas olhando para pornografia na internet. Na verdade, faz anos que ele não passa uma semana sequer sem ver pornografia. De vez em quando ele vai para um clube de “strip” com seus amigos, e bebe o quanto quer. Ele tem um filho de um relacionamento anterior, mas acha bom que a mãe tenha a custódia do filho, já que ele encarou a criança não-planejada como um peso em sua vida.

O segundo homem é casado e tem três filhos. Ele vai direto para casa depois do trabalho, para ajudar sua mulher a banhar as crianças e aprontá-las para dormir. Ele tem muitos amigos, mas não gasta mais tanto tempo com eles como na época que era solteiro. Com relação a pornografia e tentações de outras mulheres em sua vida, ele recusa isso e só tem olhos para sua esposa.

O mundo vai lhe dizer que o primeiro, o solteiro, é livre, e que o segundo, o casado, é um escravo. Mas vamos analisar com atenção. A não ser que mude de vida, o primeiro homem vai chegar no seu leito de morte um dia, e perceber que gastou a vida inteira consigo mesmo. Ele foi criado para fazer uma entrega de si, mas gastou a vida inteira tentando maximizar seu prazer pessoal. Seu egoísmo o cegou, impedindo-lhe de ver que há uma coisa que desejamos mais que essa “liberdade”, e essa coisa é o amor. Fomos criados para o amor. Mas esse amor nos exige coisas, e custa um alto preço: custa nossa vida. É por isso que muitos rapazes desistem. Nas palavras de um homem, “Eu queria ser um soldado, um cavaleiro, mas não queria sangrar como um”. (1)

Precisamos deixar a falsa noção de que a liberdade significa fazer tudo que queremos. O Papa João Paulo II nos lembra:

“Se a liberdade não é usada, o amor não pode se valer dela, ela se torna uma coisa negativa, e dá aos seres humanos um sentimento de vazio e incompletude”. (2)

O solteiro mencionado acima não é livre. Ele é escravo de seu próprio prazer e egoísmo. O marido, que parece preso, está espelhando o amor de Cristo, que disse de sua própria vida, “Ninguém a tira de mim, eu a entrego livremente”(João, 10, 18). O marido sabe que, abdicando de sua “liberdade” por causa do amor ele pode se libertar de si mesmo. Seja pela sua esposa, por seus filhos, ou por Deus, você rende sua liberdade como dom para os outros.

Somos livres para desistir dos desafios do amor, mas só vamos encontrar a verdadeira liberdade aceitando-os. Esse é o grande paradoxo do Cristianismo – enquanto não esvaziar a si mesmo, se sentirá vazio; enquanto não entregar sua liberdade como dom, não vai encontrá-la. No que se refere à pureza, você deve superar o medo inicial de que vai estar perdendo alguma coisa, porque o pequeno sacrifício esconde atrás de si uma grande recompensa. Quando você perceber que o autocontrole lhe faz livre para amar, você não mais verá a pureza como uma perda. Não tenha medo de ser um verdadeiro homem, um verdadeiro cavalheiro, como nos afirmou S. Josemaria Escrivá, “Quando você decide firmemente viver uma vida de pureza, a castidade não será um peso para você: será uma coroa de triunfo” (3).
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(1) Eldredge, Wild at Heart, 184.
(2) Karol Wojtyla, Love and Responsability. (San Francisco: Ignatius Press, 1993), 135.
(3) S. Josemaira Escriva, O Caminho, 40.

Trecho do livro “Pure Manhood”, de Jason Evert. San Diego, Ed. Catholic Answers, 2007.